O jornalista britânico do The Guardian foi o mais surpreendido com a falha de energia. Luke Harding já deve ter dado dezenas de notícias sobre o conflito na Ucrânia, mas talvez nem ele nem quem o ouve e lê tenha pensado nas consequências concretas de mais de dois anos e meio sob ataques constantes.
A cidade de Kherson, por exemplo, estratégica por ser próxima da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, foi recuperada pelas forças ucranianas nove meses depois da invasão. Mas será livre? Olga mantém a florista, apesar de poucos milhares restarem numa cidade que já teve quase 300 mil habitantes.
Nos que ficaram, é nos mais jovens que vive o maior trauma. Estudam em casa, já que as escolas foram arrasadas, e poucas oportunidades têm de convívio social normal, até porque só se sai à rua acompanhados do medo. Ainda assim, no xadrez dos balanços sobre a resistência ucraniana, a cidade de Kherson prefere assim.
Com a guerra vem também o oportunismo. A agência ucraniana de combate à corrupção está a investigar um alegado esquema que envolve a Energoatom. A empresa estatal de energia atómica é suspeita de cobrar mais 10 ou 15 por cento nos contratos com fornecedores privados. O pagamento garantiria a vitória do concurso público. O antigo ministro da Energia é um dos suspeitos.

