Guerra Rússia-Ucrânia

Análise

Ucrânia: “Não vai haver nenhum acordo de paz que não inclua uma cedência de territórios de facto”

O editor de Internacional do Expresso, Pedro Cordeiro, considera que o plano negociado em Genebra está longe de ser o ideal para Kiev, mas pode tornar-se aceitável à medida que os aliados introduzem alterações.

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O plano de paz discutido em Genebra está longe de corresponder ao que a Ucrânia desejaria. Como explica Pedro Cordeiro, “do ponto de vista ucraniano, o único bom plano seria a retirada total da Rússia e a recuperação de todo o território que, à luz do direito internacional, pertence à Ucrânia”. Mas esse cenário “é muito improvável”.

Segundo o editor do Expresso, os aliados trabalham “no plano possível”, que vai sendo ajustado à medida que se discute.

“A primeira versão proposta pelos Estados Unidos não seria suscetível de aceitação por parte da Ucrânia e, portanto, há reuniões que vão acrescentando pontos e melhorando outros para tornar a coisa mais potável para Kiev".

Marco Rubio reconheceu que o plano melhorou com o contributo dos aliados, e as negociações continuam esta semana, com a expectativa de que Volodymyr Zelensky viaje para Washington.

A questão da cedência de territórios é o tema mais difícil para Kiev.

"Eu acho que não vai haver nenhum acordo de paz que não inclua uma cedência de territórios de facto, ou seja, que no terreno certos territórios que são da Ucrânia à luz do direito internacional vão ficar, prevejo eu, nas mãos dos russos por tempo que eu não sei prever. Pode haver uma diferença entre aceitar essa realidade de facto, ou seja, congelar a linha da frente e quem está a dominar, fica a dominar cada território, quem o está a dominar neste momento, com eventuais trocas de detalhe, é diferente isso do que aceitar essa cedência de jure, ou seja, de aceitar que esses territórios passem legalmente a fazer parte da Federação Russa. Eu julgo que grande parte da tensão das negociações em curso estará também à volta disso. É muito diferente, embora nós possamos dizer, bom, mas na prática é o mesmo".

Sobre o calendário para um possível acordo, Pedro Cordeiro concorda com o chanceler alemão quando este diz que o caminho ainda é longo.

Ainda assim, a eventual viagem de Zelensky aos EUA sugere que os negociadores acreditam haver avanços.

“Não se planeiam idas a Washington sem alguma convicção de que um acordo pode ser alcançado".