Incêndios em Portugal

Helicópteros impedem banhistas de ir à água na praia fluvial de Valhelhas

Helicópteros impedem banhistas de ir à água na praia fluvial de Valhelhas
MIGUEL PEREIRA DA SILVA
A praia fluvial está “deserta”, os potenciais banhistas estão “resignados”.

A praia fluvial de Valhelhas está sem banhistas e ao serviço dos helicópteros que combatem o incêndio na Serra da Estrela e que vão abastecendo alternadamente em Manteigas, enquanto os Canadair variam entre Caldeirão e Sabugal.

“O rio este ano já está tão baixo, que nem sei como é que os helicópteros continuam a vir aqui à praia de Valhelhas buscar água. Mais hora menos hora deixam de ter água aqui”, apontou uma habitante na esplanada da praia.

Em Valhelhas, no concelho da Guarda, a praia fluvial está “deserta”, os potenciais banhistas estão “resignados” na esplanada, pois “estão impedidos de ir à água, por indicação da GNR, desde quarta-feira, para que os helicópteros possam encher [de água] os baldes em segurança”.

Vasco Silva é um dos nadadores-salvadores de serviço que contou à agência Lusa que, por estes dias, “o trabalho é impedir as pessoas de irem à água”, um papel que a equipa assumiu “perante a GNR para que eles [os guardas] possam estar a fazer outros serviços mais importantes”.

“Até agora as pessoas têm sido sensatas e nunca tivemos de chamar a GNR, porque toda a gente tem respeitado a nossa indicação, mas chamaremos se for preciso”, explicou Vasco Silva.

O rio Zêzere este ano tem o caudal mais baixo, devido à seca que o país atravessa (“e à falta de nevões na serra, no último inverno, que não permitiu que se transformassem em água infiltrada para encher o caudal”).

“Os helicópteros tanto vêm aqui várias vezes seguidas como deixam de vir, nunca sabemos muito bem, porque também podem ir a Manteigas abastecer. Não sei se é por lá haver mais água ou se é por ficar mais perto da zona onde andam a apagar o fogo”, notou a habitante.

Ao lado, Rui Rocha disse, à agência Lusa, que “também os aviões Canadair que estavam a abastecer na barragem do Caldeirão, tiveram de desviar para a do Sabugal, apesar de ser mais longe, por causa do nível da água que estava a descer muito”.

“É um bocadinho mais longe, mas tem de continuar a haver água nas barragens. São muitas as populações que precisam dela para viver”, apontou Rui Rocha, considerando que a região “trocou a azáfama turística pela das sirenes e dos meios aéreos”.

Na região, é com frequência que passam colunas de veículos da proteção civil, entre bombeiros e sapadores florestais, tal como ambulâncias ou a GNR ou ainda viaturas militares.

O incêndio na serra da Estrela lavra desde sábado nos concelhos da Covilhã (distrito de Castelo Branco) e de Manteigas (Guarda) e na tarde de quarta-feira passou também para os concelhos de Gouveia e da Guarda. Na quinta-feira chegou ao concelho de Celorico da Beira.

Hoje, pelas 19:00, combatiam o incêndio 1.649 operacionais, apoiados por 466 veículos e 12 meios aéreos.

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