Incêndios em Portugal

Incêndio na Serra da Estrela combatido por mais de 1.600 operacionais

Incêndio na Serra da Estrela combatido por mais de 1.600 operacionais
NUNO ANDRÉ FERREIRA
Fogo tem pelo menos três frentes ativas.

O incêndio na Serra da Estrela, que deflagrou no concelho da Covilhã e alastrou para Manteigas, Gouveia, Guarda e Celorico da Beira está ativo há sete dias e na noite de quinta-feira sofreu um reforço de meios.

Cerca de 1.600 operacionais, apoiados por 500 viaturas, estão no terreno e há pelo menos três frentes a dificultarem o combate.

As baixas temperaturas, registadas durante a noite desta quinta-feira, ajudaram o trabalho dos bombeiros na zona de Videmonte, no concelho da Guarda. Em Linhares da Beira, foram retiradas cerca 100 pessoas de casa durante a tarde de quinta-feira.

O capotamento de uma viatura dos bombeiros de Loures na zona de Celorico da Beira (Guarda), durante o combate ao incêndio, provocou esta quinta-feira três feridos graves e dois ligeiros, segundo a Proteção Civil.

Segundo comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Miguel Cruz, o acidente ocorreu no concelho de Celorico da Beira, no distrito da Guarda, que era ao final da tarde "a zona mais complicada" do teatro de operações.

Autarcas criticam gestão do fogo na Serra da Estrela

Alguns autarcas criticam a forma como tem sido combatido o incêndio na Serra da Estrela. Uma possível descoordenação é uma das críticas.

“Só não morreu gente porque não calhou”, afirmou Sérgio Costa, presidente da Câmara da Guarda.

O autarca de Gouveia, Luís Tadeu, considera que “andamos sempre atrás do prejuízo”. Considera que a situação que se vive no terreno é semelhante à que se viveu em Pedrógão Grande e que nada foi feito para evitar este desfecho.

Nós estamos a passar por uma situação muito idêntica àquilo que passamos em 2017. E, se em 2017 sofremos o que sofremos, estamos em 2022 e estamos a passar quase pelo mesmo.

O Governo assumiu que há ajustamentos a fazer e anunciou a compra de mais veículos de combate aos incêndios.

O que explica a complexidade do fogo na Serra da Estrela?

O investigador Miguel Almeida da Universidade de Coimbra explica que a orografia e as condições meteorológicas não ajudam, mas há mais fatores a dificultar o trabalho dos operacionais no terreno.

"Os incêndios explicam-se muitas vezes com base num triângulo, constituído pela topografia, os combustíveis [como vegetação] e as condições meteorológicas, e a verdade é que os três vértices do triângulo estão perfeitamente coadunados" neste caso, disse.

Em declarações à agência Lusa, considerou que este fogo "é muito complexo e dominado pela topografia, visto que é uma zona de montanha, e pelo vento que se tem levantado durante as tardes".

Questionado sobre críticas que têm sido feitas ao combate a este incêndio, Miguel Almeida escusou-se a comentar algumas e considerou que outras "não são justas", nomeadamente as que se dirigem à estratégia definida para a operação.

Quando se critica a estratégia de combate, aí, não me parece que estejam a ser justos, porque me parece que o combate está a ser feito como pode ser feito, [perante] condições extremamente nocivas e difíceis.

Para o investigador, "há algumas coisas que poderiam ter sido feitas", mas não "do lado do combate - sobretudo do lado da preparação para este tipo de cenários ou da prevenção".

70 concelhos do interior Norte, Centro e Alto Alentejo em risco máximo de incêndio

Cerca de 70 concelhos dos interior Norte e Centro e Alto Alentejo estão hoje em risco máximo de incêndio, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Os concelhos em risco máximo pertencem aos distritos de Vila Real, Bragança, Castelo Branco, Guarda, Portalegre, Coimbra e Viseu.

O IPMA colocou ainda em risco muito elevado e elevado cerca de uma centena de municípios dos distritos de Vila Real, Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Viseu, Coimbra, Leiria, Lisboa, Santarém, Portalegre, Évora, Beja e Faro.

Para esta sexta-feira, as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera apontam para uma pequena subida da temperatura máxima na região Sul e céu temporariamente nublado no litoral oeste até meio da manhã evento em geral fraco. As temperaturas as mínimas vão oscilar entre os 14 graus Celsius (Braga) e os 28º (Faro) e as máximas entre os 22º (Viana do Castelo) e os 36º (Évora e Beja).

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