Incêndios em Portugal

"Num momento em que as pessoas perderam as casas, fico surpreendido que o Governo fale em algoritmo"

Entrevista SIC Notícias

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Duarte Costa, especialista em alterações climáticas, critica as declarações da secretária de Estado da Proteção Civil sobre a área ardida em Portugal.

Portugal continental está a partir deste domingo, e até terça-feira, em situação de alerta devido ao risco de incêndios florestais. Duarte Costa, especialista em alterações climáticas, sublinha que para além do clima, há outras questões que estão a causar incêndios e critica as declarações da secretária de Estado da Proteção Civil sobre a área ardida em Portugal.

Sobre as operações no terreno, a governante garante que “estão a decorrer de acordo com o suposto” e que, apesar da área ardida chegar já aos 92 mil hectares, é inferior ao esperado.

"Se considerarmos a severidade meteorológica, os algoritmos e dados dizem que a área ardida que deveríamos ter deveria ser 30% superior. Significa que apesar da complexidade, o dispositivo tem estado a responder bem", disse à SIC Notícias.

"É muito grave um membro do Governo ter este tipo de comunicação para a população", começa por dizer Duarte Costa.

Primeiro, um algoritmo não é algo que use em ciência para modelar fogos, algoritmo usa-se nas redes sociais e no marketing. Nós usamos modelos numérico que seguem leis da física para simular comportamentos de fogo, o clima, modelos hidrográficos, etc.

"Num momento em que as pessoas perderam as casas, fico surpreendo que o Governo fale em algoritmo", afirmou.

O especialista em alterações climáticas defende que faz sentido o que o ministro da Administração Interna fez na semana passada que foi consultar o IPMA.

"Faz sentido consultar regularmente o IPMA para perceber como é que as condições meteorológicas evoluem e tomar decisões em função disso", defende.

Duarte Costa reforça que é preciso lembrar que a serra da Estrela "ardeu, da forma como ardeu, fora de um estado de alerta".

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