Incêndios em Portugal

Incêndios: desde 2017 que não havia tantos hectares ardidos

Incêndios: desde 2017 que não havia tantos hectares ardidos
PATRICIA DE MELO MOREIRA

Arderam mais de 110 mil hectares este ano. Área mais do que triplicou em comparação com o mesmo período de 2021.

Os incêndios rurais consumiram este ano 110.007 hectares, o valor mais elevado desde 2017, tendo sido o fogo da Serra da Estrela o que registou maior área ardida, com quase 25.000 hectares, segundo os últimos dados oficiais.

O relatório provisório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) indica que, entre 1 de janeiro e 15 de outubro, ocorreram 10.449 incêndios rurais que resultaram em 110.007 hectares (ha) de área ardida, entre povoamentos (54.801 ha), matos (44.114 ha) e agricultura (11.092 ha).

Em comparação com o mesmo período de 2021, a área ardida mais do que triplicou, tendo as chamas consumido este ano mais 82.796 hectares, e os incêndios aumentaram 40%, ao registaram-se mais 2.997 fogos.

"Comparando os valores do ano de 2022 com o histórico dos 10 anos anteriores, assinala-se que se registaram menos 29% de incêndios rurais e menos 12% de área ardida relativamente à média anual do período. O ano de 2022 apresenta, até ao dia 15 de outubro, o quarto valor mais reduzido em número de incêndios e o quinto valor mais elevado de área ardida, desde 2012", lê-se no documento.

Área ardida na última década

Os dados provisórios mostram que os anos com mais área ardida na última década foram 2017 (537.131 hectares), 2016 (166.185), 2013 (157.327) e 2012 (117.870).

Segundo o ICNF, o maior número de incêndios deflagrou nos distritos do Porto (2.539), Braga (1.163) e Vila Real (864) e foram "maioritariamente de reduzida dimensão", não ultrapassando um hectare de área ardida, mas os distritos mais afetados em área ardida são os da Guarda e de Vila Real, com 25.399 hectares cada um, representando mais de 23% da área total ardida até 15 de outubro.

Outros distritos com mais área ardida foram Leiria, com 10.633 hectares (cerca de 10% do total), seguido de Castelo Branco (7.886) e Bragança (6602).

O ICNF precisa que também foram os concelhos da Guarda, Manteigas, Covilhã, Vila Real e Ourém os mais afetados.

O documento mostra igualmente que, em 2022, os incêndios com área ardida inferior a um hectare são os mais frequentes, representando 83% do total de incêndios rurais, e até 15 de outubro registaram-se 17 grandes incêndios, com área ardida superior ou igual a 1000 hectares.

O maior incêndio até à data foi o que começou a 6 de agosto no concelho da Covilhã e que atingiu a zona da Serra da Estrela ao longo de 11 dias, tendo consumido 24.334 hectares de floresta, seguido do fogo no concelho de Murça (Vila Real) que em julho provocou 7.184 hectares de área ardida.

Mês com maior número de incêndios rurais

De acordo com o documento, julho é o mês que apresenta maior número de incêndios rurais, com um total de 2.629 incêndios, o que corresponde a 25% do número total registado este ano, sendo também esse mês o que regista maior área ardida, 50.399 hectares, o que representa 46% do total.

O ICNF refere ainda que o valor de área ardida real (110.007 ha) corresponde a 72% da "área ardida ponderada", o que significa que a área ardida no ano de 2022 é inferior à área ardida "expectável" tendo em conta a severidade meteorológica (temperaturas elevadas, vento forte, ausência de precipitação e humidade relativa baixa) verificada.

Origem dos incêndios

Mais de um quarto dos incêndios rurais registados este ano tiveram como origem o fogo posto, sendo a segunda causa mais frequente depois das queimas e queimadas, indicou ICNF.

Até à data, o incendiarismo, designadamente de pessoas imputáveis, foi responsável por 28% do total.

As queimas e queimadas são a principal origem dos fogos registados este ano e representam 41% do total das causas apuradas, nomeadamente as queimadas de sobrantes florestais ou agrícolas (19%) e queimadas para gestão de pasto para gado (12%).

De acordo o documento, 8% dos incêndios ocorreram devido a motivos acidentais, como uso de maquinaria e transportes e comunicações, e outros 8% tiveram como causa os reacendimentos, e 2% a queda de raios.

O ICNF ressalva que 91% dos incêndios rurais verificados este ano foram investigados e têm o processo de averiguação concluído. Destes, foi possível atribuir uma causa a 63%, ou seja, dos 10.449 fogos registados até 15 de outubro, a investigação permitiu a atribuição de uma causa a 5.963, responsáveis por 88% da área total ardida.

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