O primeiro-ministro pede confiança no dispositivo de combate aos incêndios e insiste que os meios estão empenhados a 100%. Luís Montenegro fala em "dias e dias de sofrimento e terror", mas diz ter a “expectativa” de ter pedido ajuda europeia no tempo certo.
"Em momentos de crise, de tragédia, há sempre alguma irritação. Muitas vezes, pode até haver alguma descoordenação momentânea, mas está a ser dado o máximo por muita gente e estão a ser evitadas tragédias em muitos sítios”, declarou o chefe do Governo, esta tarde, após ter reunido com a Proteção Civil.
“Precisamos de confiar", sublinhou.
Luís Montenegro assegura que mantém “confiança total” no dispositivo de combate e afirma que o estado dos incêndios se deve a “24 dias seguidos de severidade meteorológica como não há registo no país”.
“Estamos todos muito esgotados. São dias e dias de sofrimento, de terror”, declarou.
Salientando que as populações “têm sido heroicas”, o primeiro-ministro afirmou que “é necessário que todos continuem a ter noção de que há uma cadeia de comando e forças que estão consecutivamente a ser chamadas para operações em vários locais ao mesmo tempo”.
“Mais de 90% das ocorrências têm sucesso no chamado ataque inicial”, alegou, sustentando que “há muita componente do dispositivo que tem evitado muitos outros incêndios que, se não fossem atacados com esta prontidão inicial, podiam ter uma propagação igual ou pior do que aqueles que hoje nos preocupam mais”.
Mecanismo Europeu acionado a tempo? “A minha expectativa é que sim”
Questionado sobre se o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, que foi acionado na última sexta-feira, deveria ter entrado em ação mais cedo, o primeiro-ministro manifestou a expectativa de que tudo foi feito no tempo certo.
“Faremos depois, no final, a avaliação se o timing foi o correto ou não”, afirmou, declarando-se pronto para o escrutínio. “A minha expectativa é que sim.”
“O critério não pode ser o do primeiro-ministro, nem o palpite de nenhum político. Têm de ser critérios de natureza operacional e de solidariedade entre todos os parceiros”, reforçou, lembrando que vários outros países da Europa estão a ser assolados por fogos.
Para Luís Montenegro, neste momento o que é preciso é “concentração absoluta no combate” aos incêndios e, por isso, descarta as críticas que têm sido feitas pelos autarcas quanto à falta de meios no terreno. O primeiro-ministro diz compreender algumas “palavras de indignação”, mas pede “solidariedade e unidade nacional”.
“As populações podem confiar que o dispositivo está a fazer um esforço notável para evitar males maiores”, insiste.
Questionado ainda sobre as críticas que fez, no passado, à atuação de anteriores governos no combate aos fogos, Luís Montenegro refere que a severidade da situação atual “não encontra paralelo” no país. “Estamos em guerra e temos de vencer esta guerra.”
