Operação Lava Jato

Partido de Temer critica pressa da Justiça brasileira na detenção

Joedson Alves

O partido diz ainda que o inquérito demostrou que não há irregularidade por parte do ex-Presidente.

O Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido do ex-Presidente do Brasil Michel Temer, preso esta quinta-feira pela polícia federal, lamentou a sua detenção e de um ex-ministro, criticando ainda o que afirma ter sido a pressa da justiça.

"O MDB lamenta a postura açodada [apressada] da justiça à revelia do andamento de um inquérito em que foi demonstrado que não há irregularidade por parte do ex-Presidente da República, Michel Temer, e do ex-ministro Moreira Franco".

"O MDB espera que a justiça restabeleça as liberdades individuais, a presunção de inocência, o direito ao contraditório e o direito de defesa", conclui a mesma nota.

Também o vice-Presidente do Brasil, Hamilton Mourão, se pronunciou sobre a prisão, dizendo que “é muito mau para o país ter um ex-Presidente preso. Agora seguem-se as investigações”.

Temer investigado em vários casos de corrupção

A polícia federal brasileira deteve hoje Michel Temer e tenta cumprir um mandado de prisão contra outros dos seus aliados, a pedido dos investigadores da Operação Lava Jato do Rio de Janeiro.

A emissão do mandado de detenção de Michel Temer pelo juiz Marcelo Bretas foi avançada pela imprensa brasileira e confirmada por um porta-voz do Ministério Público do Rio de Janeiro à Lusa.

Michel Temer, o segundo ex-Presidente brasileiro a ser detido no espaço de um ano, está a ser investigado em vários casos de corrupção com ligações à maior operação de combate à corrupção na história do Brasil (Lava Jato) e que revelou um escândalo de grandes proporções de desvio de fundos da empresa petrolífera estatal Petrobras.

Denúncia partiu do dono da construtora Engevix

Em causa estão denuncias do empresário e dono da construtora Engevix, José Antunes Sobrinho, que disse à Polícia Federal que pagou um milhão de reais (230.000 euros) em subornos a pedido do coronel João Baptista Lima Filho (amigo de Temer), do ex-ministro Moreira Franco e com o conhecimento do então Presidente Michel Temer.

Bretas é um juiz do Rio de Janeiro que supervisiona parte da ampla investigação de corrupção envolvendo subornos a políticos e funcionários públicos.

Desde o seu lançamento, em março de 2014, a investigação Lava Jato levou à prisão de empresários e políticos, incluindo o ex-Presidente Lula da Silva.

Bretas decretou igualmente a detenção dos ex-ministros Moreira Franco, importantes colaboradores de Michel Temer e colegas de partido.

MP já tinha pedido a abertura de processos por corrupção contra Temer

Durante o mandato como Presidente, o Ministério Público pediu por duas vezes ao Supremo Tribunal a abertura de processos por corrupção contra Temer, mas o Congresso brasileiro negou sempre autorizar os procedimentos necessários.

Todas as acusações ficaram, por isso, pendentes do fim da imunidade de Michel Temer, o que aconteceu quando deixou a Presidência da República do Brasil em finais de 2018, após dois anos e meio de mandato.

Lusa