Operação Lava Jato

Defesa de Lula da Silva pede libertação alegando que procuradores agiram por ódio

Adriano Machado

A defesa de Lula considera que as novas mensagens divulgadas mostram que os procuradores só queriam perseguir e humilhar o antigo chefe de Estado.

A defesa do ex-Presidente brasileiro Lula da Silva, preso desde abril de 2018 por corrupção, interpôs esta terça-feira mais um pedido de liberdade no Supremo Tribunal Federal (STF), por considerar que os procuradores agiram motivados pelo ódio.

Os advogados apresentaram como prova cópias de uma reportagem publicada hoje na qual o portal de notícias UOL divulga gravações de conversas nas quais os procuradores do caso de Luíz Inácio Lula da Silva ironizaram a dor sofrida pelo ex-chefe de Estado aquando da morte da sua mulher, de um seu irmão e de um neto.

"As mensagens reforçam a já evidente parcialidade, perseguição e desvios funcionais dos procuradores contra Lula e a sua família", afirma uma mensagem divulgada na conta oficial do ex-Presidente do Brasil no Twitter.

A mesma mensagem explica que, no seu recurso, a defesa de Lula questiona, perante o STF, a imparcialidade dos procuradores responsáveis pela Lava Jato, a maior operação de combate à corrupção na História do Brasil, e que condenou dezenas de empresários e políticos, incluindo o antigo chefe de Estado.

Segundo os advogados, as conversas divulgadas pelo UOL mostram que os procuradores ironizaram o sofrimento de Lula quando ficou viúvo em fevereiro de 2017, qualificaram o seu pedido para sair da prisão e ir ao funeral de um irmão, em janeiro deste ano, como "vontade de ir passear" e alegaram que "a novela" se iria repetir quando morreu um seu neto, em março último.

"As mensagens mostram que a atuação desses procuradores sempre foi orientada por ódio e desprezo pessoal pelo ex-Presidente e seus familiares", disse o advogado Cristiano Zanin. Esse ódio torna os procuradores "absolutamente incapazes de cumprir os seus deveres de imparcialidade, impersonalidade e isenção garantidos por lei", segundo a defesa.

As conversas publicadas hoje pelo UOL fazem parte do grupo de mensagens trocadas na aplicação Telegram, que uma fonte não identificada enviou ao portal de jornalismo investigativo Intercept Brasil.

Numa dessas mensagens divulgadas hoje, a procuradora Laura Tessler comenta as declarações de Lula, que sugere que a morte da sua mulher foi precipitada pelas ações dos procuradores que o perseguem a si e à família.

"Quem participar na próxima audiência (judicial) de Lula é bom que vá preparado com uma dose extra de paciência para a sessão de vitimização", disse Laura Tessler.

"Bobagem (asneira) total. Ninguém mais dá ouvidos a esse homem", respondeu Deltan Dallagnol, chefe da equipa de procuradores da Lava Jato.Numa outra mensagem, comentando o pedido de Lula de sair da cadeia para ir ao funeral de um dos seus irmãos, o procurador Januário Paludo refere que "o descarado só quer passear" e pede a um colega que afirmou que a lei garante ao ex-Presidente o direito de ir à cerimónia fúnebre que não seja compassivo.

Numa outra conversa, proferida logo após a morte de um neto de Lula de 7 anos, a procuradora Jerusa Viecili alerta para que os colegas se preparam "para uma nova novela de ida ao enterro".

Estas novas mensagens divulgadas, segundo os principais dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT), a formação política fundada por Lula e que governou o Brasil por 13 anos, até 2016, mostram que os procuradores só queriam perseguir e humilhar o antigo chefe de Estado.

"A cada revelação do Intercept, o Brasil descobre, chocado, a baixeza e indignidade com que procuradores agiram para condenar Lula a qualquer custo. Foram movidos pelo ódio e o preconceito para acusá-lo sem crime, condená-lo sem provas e afastá-lo da eleição sem pudor", escreveu a ex-governante do Brasil Dilma Rousseff, sucessora de Lula na presidência do país.

Lusa