Match Point

Quem diria que Vieira sairia assim…

Opinião

Às terças e sextas o futebol marca presença maioritária no Match Point, mas o Desporto em geral terá sempre aqui o seu espaço. Na opinião escrita de José Manuel Freitas.

Ver Luís Filipe Vieira deixar o Benfica da forma como aconteceu, instituição onde foi dominante durante quase 20 anos, foi assunto que nunca me passou pela cabeça, confesso-o sem problema algum. Porém, tendo em conta os sucessivos processos judiciais a envolverem o nome do clube e, particularmente, a “Operação Cartão Vermelho”, da qual resultou a sua prisão domiciliária, a única saída digna, como defendi publicamente assim que foi detido, foi aquela que agora se verificou. Porque, sem colocar em causa o seu benfiquismo, os homens passam, mas os clubes continuam. E o Benfica tem de continuar e sobreviver a um dos momentos mais dramáticos da sua existência, pela importância que tem na sociedade e no Desporto.

LFV renunciou ao Benfica, pela sua relação aos encarnados – tantas vezes pareceu que o clube era dele que isso lhe custou caro, embora defendesse que era aos sócios que pertencia… - terá o seu lugar na história, pois contribuiu com obra para fosse ainda maior, mas a parte final da sua liderança retira-lhe qualquer possibilidade de ser um adeus triunfal, como parecia para tal estar destinado. E, sem sofismas, o assumo: vê-lo sair pela porta dos fundos, quase ignorado, tem tudo para deixar a alma destroçada. Mesmo assim, num quadro de grande complexidade, em que fazer-se Justiça será fundamental, LFV defendeu os interesses das partes: pode tratar da sua defesa com outra disponibilidade mental e permitiu ao Benfica seguir o seu caminho sem o estigma da sua presença por perto, embora se saiba que estará sempre presente nos longos meses que o processo de investigação durar.

Armando Franca

Porque o tema está (e continuará sabe-se lá por quanto tempo) na ordem do dia, uma vez que todos os dias surgem mais argumentos para conversa e discussão, há, porém, dois factos que gostavam de ver bem desmistificados, um deles já aqui por mim referido em crónica anterior: qual é o verdadeiro LFV? O que dotou o Benfica de condições e património invejável ou aquele sobre quem impedem os mais variados indícios, particularmente aquele que me parece ser o mais caro a todos os benfiquistas, o que diz respeito à possibilidade de ter sonegado verbas à entidade. A outra questão é muito simples: tudo aquilo que se aponta ao ex-presidente encarnado não teve a participação de mais ninguém dentro da esfera encarnada? Vieira punha e dispunha ao ponto de gerir a grande nau como se fosse realmente apenas sua? Tenho a convicção, seja lá quando for, que estas dúvidas me serão esclarecidas.

Não tenho a certeza se Luís Filipe Vieira teria evitado tudo aquilo por que está a passar se não se tivesse candidatado à continuidade no Benfica em outubro do ano passado. E não tenho a certeza por continuarem “ativos” todos aqueles processos que já se conheciam, mas não duvido que o ex-dirigente, até surgir o “cartão vermelho”, seria visto por muitos como o melhor presidente da história do clube. Assim, sai em conflito e isso, como defendo no início deste escrito, foi coisa que nunca me passou pela cabeça.

NurPhoto

ELEIÇÕES, TEXTOR E RUI COSTA

Obviamente, como muito bem decidiram os órgãos sociais que decidiram continuar a gerir clube e SAD – à hora em que escrevo este texto ainda não havia essa informação, mas tudo aponta para que Rui Costa fosse eleito novo presidente da Sociedade Anónima -, o Benfica vai a votos até final do ano, muito provavelmente entre outubro e novembro, percebendo perfeitamente a decisão dos responsáveis, apesar de vistos em determinados setores como sustentáculos do vieirismo. A verdade é que, face à situação atual, me parece ter sido uma decisão equilibrada e que na hora certa todos saberão renunciar para que o ato eleitoral seja uma realidade, sem descurar a possibilidade de alguns destes elementos poderem candidatar-se.

Daí, continuar a achar, pelo passado no clube e pelo legado que detém, que Rui Costa – agora presidente por força das circunstâncias – queira ser legitimado nas urnas. É verdade que as sondagens que já se fizeram não lhe são assim tão favoráveis, mas percebo-lhe nas atitudes uma vontade férrea de cortar com essa ligação ao anterior presidente. Como forma de vincar a sua personalidade e de provar que não tinha conhecimento de muitos dos indícios que levam LFV a deixar o Benfica. Este curto tempo de que dispõe para dissipar dúvidas é-lhe fundamental e, apesar do ruído existente, acredito que Rui Costa irá a votos.

MIGUEL A. LOPES

Um derradeiro comentário para a posição já assumida pelo clube na questão John Textor, resultante da sua posição maioritária na SAD: está vetada a possibilidade da entrada do milionário norte-americano, que aconteceria por via da compra das ações de José António dos Santos, a rondar os 25 por cento. Para lá do “incómodo” que causaria a sua participação nas decisões das própria SAD, o modo como todo o processo de aproximação à entidade decorreu, cheio de solavancos, deixava perceber (e isso também foi percebido pelo Benfica clube) que a ligação tinha tudo para correr mal.

John Textor

John Textor

Slaven Vlasic

► A PÁGINA DO MATCH POINT