Em relação aos treinadores, Daniel Sá não tem dúvidas: "Mourinho foi o primeiro treinador superstar". Sobre Cristiano Ronaldo, e ao contrário da opinião generalizada, defende que a ida para a Arábia Saudita ou a recente visita à Casa Branca — onde esteve com Donald Trump —, apesar de muita contestação, não tiveram qualquer impacto negativo: “[Cristiano Ronaldo] é uma marca que continua a crescer e já pouco precisa do futebol jogado".
O especialista em marketing desportivo e diretor executivo do IPAM divide Ronaldo em quatro dimensões.
“Há o jogador, depois vem o atleta que participa em publicidades, segue-se o influencer e, hoje, temos a fase do investidor. A marca atualmente vive mais destes três ‘Ronaldos’ do que daquele que está dentro do campo”
Sobre a permanência de Ronaldo na Seleção Nacional, Daniel Sá não entra na conversa dos adeptos, mas fala como marketeer: “Por mim, Ronaldo jogava na Seleção até aos 80 anos. Em termos de contratos, prémios, direitos televisivos, a Seleção vale muito mais por ter Ronaldo. É assim há muito tempo. Ele tem alimentado a Seleção nesse sentido.”
“No mercado da atenção, Ronaldo compete com o rato Mickey e a Taylor Swift"
Ao analisar o crescimento das diferentes plataformas e a variedade de conteúdos, Daniel Sá acredita que todo o negócio do desporto está a mudar: “O futebol já não compete entre si para ser o mais visto. Está no mercado da atenção”, defende. “No nosso tempo livre, temos cinema, compramos bilhetes para concertos ou para o futebol, vemos filmes em streaming, entre tantas outras ofertas.”
Mas “este mercado da atenção”, alerta, “é muito competitivo e, por isso, o futebol precisa de estar atento e inovar.”
Para reforçar esta ideia, Daniel Sá dá um exemplo.
“Gosto de dizer que Cristiano Ronaldo compete com o rato Mickey e a Taylor Swift. São os seus concorrentes. Competem pelo mercado da atenção, pelo nosso tempo e pelo dinheiro dos consumidores”
"Mourinho é o George Clooney do futebol mundial”
Daniel Sá lamenta que os clubes portugueses nem sempre saibam aproveitar quando têm jogadores ou treinadores que sejam marcas fora de Portugal.
Em casos de mercados específicos, afirma que o Sporting “podia aproveitar melhor a zona asiática por causa do médio japonês Morita, o Benfica devia ter feito o mesmo no ano passado com os turcos Akturkoglu e Kokcu, ou já nesta época com a força que Richard Rios tem no mercado colombiano”.
Acredita, no entanto, que, em relação a José Mourinho, o Benfica pode vir a trabalhar de forma diferente: “Mourinho está de regresso, mas entrou com a época a decorrer e, naturalmente, a parte desportiva vem sempre primeiro”, analisa.
“Talvez ainda não haja tempo suficiente para trabalhar o marketing à volta da figura de um treinador desta dimensão. Mas acredito que o clube tem consciência da pérola que ali tem enquanto marca. Uma celebridade mundial”
Daniel Sá diz mesmo que, para ele, “Mourinho é o George Clooney do futebol mundial” e acredita que, se a parte desportiva estabilizar, o Benfica vai aproveitar para maximizar a figura do seu treinador.