O julgamento da operação Marquês tem sido marcado por um clima de tensão permanente entre José Sócrates e a juíza, tensão que se instalou logo no primeiro dia.
Ainda o interrogatório não tinha começado e o tribunal estava a apreciar um requerimento da defesa do antigo primeiro-ministro, quando a juíza notou a falta de alguém na sala. José Sócrates tinha saído sem avisar ninguém. Quando voltou, foi imediatamente repreendido pela juíza, sendo este o primeiro de vários puxões de orelhas.
Sócrates pediu a palavra, mas a juíza recusou-lhe a autorização. No entanto, o ex-primeiro-ministro falou na mesma. Quando regressou à sala de tribunal para a segunda sessão, prometeu que se conteria, mas não o fez.
Desde o início do julgamento, em julho, têm sucedido diversos episódios de confronto. José Sócrates chegou mesmo a acusar o Ministério Público de estar a fazer política.
Noutra sessão, enquanto o tribunal analisava a lista de alegados subornos do Grupo Lena a Sócrates, o antigo primeiro-ministro reagiu com veemência, dizendo: "Os senhores procuradores parecem a Inquisição. Olham para mim como se estivesse possuído pelo demónio."
Mais tarde, durante outra audiência, houve novo confronto tenso entre José Sócrates e o procurador. Na sessão seguinte, o ex-primeiro-ministro apresentou um documento que serviria como prova de que não favoreceu o Grupo Lena no concurso do TGV, gerando mais um momento de tensão.
Sócrates numa postura desafiadora
José Sócrates tem demonstrado uma clara preferência por falar de pé. Chegou mesmo a recusar a sugestão da juíza para que se sentasse durante a audiência.
Os momentos de tensão não envolveram apenas o antigo primeiro-ministro, mas também o agora ex-advogado de Sócrates. A juíza chegou a enviar uma queixa para a Ordem dos Advogados após alguns episódios de conflito no tribunal.
