Orçamento do Estado

Nova geringonça? Jerónimo recusa pressão de Marcelo para "assinar de cruz"

ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Líder do PCP lembra que não vai apoiar um documento que ainda nem sequer existe.

O secretário-geral do PCP manifestou-se este sábado "surpreendido" com as declarações do Presidente da República, que disse esperar ver o próximo Orçamento aprovado pelo PSD se a esquerda não o fizer, recusando pressões para "assinar de cruz".

Jerónimo de Sousa marcou esta tarde presença no desfile e concentração da CGTP, que terminou no Terreiro do Paço para exigir melhores salários, tendo aproveitado a oportunidade para reagir às declarações do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que na sexta-feira afirmou que, não sendo possível ter o Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) aprovado pela esquerda parlamentar, isso devia ser garantido pela oposição que ambiciona ser Governo, referindo-se ao PSD.

"Compreenderá que fico um pouco surpreendido com essas declarações, num quadro em que não existe ainda proposta de Orçamento. Isso significa o quê? Que querem que se assine de cruz sem conhecer o seu conteúdo?", questionou Jerónimo de Sousa, reiterando que sem conhecer a proposta do Governo não haverá decisões.

"Ninguém se substitui ao PCP na sua posição e somos claros nesta franqueza e disponibilidade para procurar fazer o melhor, que sirva os interesses dos trabalhadores e do povo, e não para satisfazer os interesses do Presidente da República. Obviamente, temos esta posição autónoma", disse.

Sobre o aumento do salário mínimo nacional, que Jerónimo de Sousa insistiu querer ver nos 850 euros "o mais rápido possível", sem concretizar se "o mais rápido possível" é em janeiro de 2021, recusou que o PCP trace aí "uma linha vermelha" para aprovação do OE2021.

"Nós nunca apresentámos linhas vermelhas. [...] Não pressionem, não vale a pena tentarem qualquer chantagem sobre o PCP", disse, insistindo que a posição do partido é clara sobre as suas opções e que será com essa "determinação e franqueza" que avançam "para a discussão e apreciação da proposta de Orçamento".

O secretário-geral do PCP lembrou ainda as declarações do líder do PSD, Rui Rio, que se manifestou contra qualquer aumento do salário mínimo nacional, referindo que face a estas declarações "o Governo pode tender até a rasgar o compromisso que tem" de aumento, "que apesar de ser insuficiente, era mais um passo adiante", apresentando "uma solução mitigada que não corresponda aquilo que é uma necessidade objetiva"

"Se dá essa indicação de que rasga esse compromisso então é um mau sinal e não queria fazer juízos de valor precipitados. Vamos continuar para corresponder a este grande objetivo de valorização do salário mínimo nacional para 850 euros".

Sobre a disponibilidade do Bloco de Esquerda para aprovar o próximo orçamento, Jerónimo de Sousa disse que "o Bloco é livre de ter as opções que quiser, mesmo não conhecendo a proposta de Orçamento do Estado", e insistiu que o PCP "não subscreve algo que ainda não conhece.

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