Orçamento do Estado

“Estamos a assistir a uma espécie de campanha eleitoral para a aprovação do Orçamento”

Opinião

A análise de José Gomes Ferreira às negociações do Orçamento do Estado para 2022.

O primeiro-ministro e o ministro das Finanças reuniram-se esta quinta-feira, na Assembleia da República, com o Grupo Parlamentar do PS sobre o Orçamento, que é votado na generalidade no próximo dia 27.

José Gomes Ferreira afirma que o primeiro-ministro “entrou na campanha partidária pelo Orçamento”.

“Hoje assisti a uma coisa extraordinária na nossa vida política que foi o primeiro-ministro ir ao Parlamento explicar aos deputados do PS o que é o Orçamento. Eles estão fartos de saber o que é, eles próprios acompanharam a discussão de muitas matérias. Foi uma necessidade política partidária para dizer ‘aprovem o meu Orçamento que é o melhor’”, afirma.

Sobre as declarações do Presidente da República, que anuncia uma crise política caso o Orçamento seja chumbado, José Gomes Ferreira diz que o próprio Presidente “está a criar um facto político” ao apontar esse desfecho.

“O Presidente da República ao dizer ‘cuidado que se chumbam o OE e vão para eleições só há um novo Orçamento lá para abril ou maio e primeiro é preciso eleger um novo Governo’ ele próprio está a criar um facto político”, sublinha.

O Presidente da República afirmou esta quinta-feira que "a faca e o queijo estão nas mãos dos partidos" e que quis ser preventivo ao avisar que um chumbo do Orçamento provavelmente conduzirá a eleições antecipadas.

O primeiro processo de debate parlamentar do Orçamento do Estado para 2022 decorre entre 22 e 27 de outubro, dia em que será feita a votação na generalidade. A votação final global está agendada para 25 de novembro, na Assembleia da República, em Lisboa.

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