Perguntas e Respostas

Nobel da Paz 2025: como é decidido o vencedor entre 338 nomeados?

O Nobel da Paz 2025 será anunciado a 10 de outubro, em Oslo. A escolha resulta de um processo longo e envolto em sigilo, mas com regras definidas desde 1895, no testamento de Alfred Nobel.

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O vencedor do Prémio Nobel da Paz 2025 será anunciado a 10 de outubro pelo Comité Nobel norueguês. Há 338 nomeados este ano. Mas como e quem decide a quem é atribuído?

O comité responsável pela escolha reúne-se em segredo, avalia propostas vindas de milhares de pessoas em todo o mundo e interpreta, à luz da atualidade, o desejo de Alfred Nobel: premiar quem contribui para a fraternidade entre as nações e a paz mundial.

"Recebemos muitas nomeações, analisamo-las, avaliamos a sua validade, apresentamos uma longa lista de candidaturas, todas as candidaturas que são válidas, ao Comité Nobel. Eles (comité) leem toda essa lista, selecionam uma pequena lista que pode ir de uma mão cheia a dezenas de candidatos. Depois, eu próprio, na qualidade de secretário da comissão, sou responsável por solicitar a opinião de peritos sobre os candidatos pré-selecionados", explica à Reuters Kristian Berg Harpviken, Secretário do Comité Nobel norueguês.

O Comité Nobel Norueguês é constituído por cinco pessoas nomeadas pelo parlamento, indicadas pelos partidos políticos. As suas nomeações refletem o equilíbrio de poder no parlamento norueguês. O secretário do comité do prémio, atualmente Kristian Berg Harpviken, prepara o trabalho para o órgão de atribuição do prémio. Participa nas deliberações, mas não vota.

Quem pode nomear um candidato?

Milhares de pessoas podem sugerir nomes de candidatos o Nobel da Paz, explica Kristian Berg Harpviken:

"Muitas pessoas podem nomear (candidatos para o prémio). As duas maiores categorias de pessoas com direito a nomear são, em primeiro lugar, os académicos: todos os professores e professores associados, mesmo os professores aposentados, de todas as ciências sociais, teologia, filosofia, direito e história. Já são muitas as pessoas no mundo que podem nomear. A segunda maior categoria é a de todos os membros, todos os membros efetivos das assembleias nacionais e dos governos em qualquer parte do mundo".

Quem pode ganhar?

Quem se enquadra na descrição estabelecida no testamento de 1895 do industrial sueco Alfred Nobel.

"Alfred Nobel formulou muito claramente o que queria que fosse o Prémio Nobel da Paz. É para aqueles que mais contribuíram para a fraternidade entre as nações, o desarmamento ou a abolição dos exércitos permanentes ou a realização de congressos de paz. Foi isso que ele escreveu no seu testamento".

A resposta mais complexa é que o prémio "precisa de ser inserido no contexto atual".

O comité faz uma leitura dinâmica do testamento por muito boas razões. (...) Apoia qualquer discussão no testamento. Olham para o mundo, veem o que está a acontecer, quais são as tendências globais, quais são as principais preocupações, quais são os processos mais promissores que vemos.

E os processos aqui podem significar qualquer coisa, desde um processo de paz específico até um novo tipo de acordo internacional que está a ser desenvolvido ou que foi recentemente adotado.

Este ano, há 338 nomeados. A lista completa fica guardada num cofre durante 50 anos.

Como decide o comité?

As nomeações encerram a 31 de janeiro e o comité reúne-se mensalmente para analisar as nomeações até chegar a uma lista restrita.

À medida que se aproxima o verão, a lista (de nomeados) é normalmente reduzida a um número relativamente pequeno de nomes. Durante o verão, é tomada uma decisão e começamos a preparar o anúncio. E o anúncio é sempre feito na sexta-feira da primeira semana completa de outubro.

Quem são os nomeados?

Embora a lista completa de nomeações seja mantida em segredo, os nomeados são livres de a divulgar.

Entre os nomes divulgados este ano estão o Tribunal Penal Internacional, a NATO, o ativista preso de Hong Kong Chow Hang-tung e o advogado canadiano de direitos humanos Irwin Cotler.

Os líderes do Camboja, Israel e Paquistão declararam que nomearam o Presidente dos EUA, Donald Trump. As suas nomeações foram feitas na primavera e no verão, após o prazo final de 31 de janeiro, pelo que não são válidas para o prémio de 2025.

Poderá Trump ganhar?

Só se mudar as suas políticas, dizem os especialistas do Nobel, que defendem que ele está, neste momento, a desmantelar a ordem mundial internacional que o comité do prémio preza.

O comité pode querer destacar uma organização humanitária, jornalistas ou uma instituição das Nações Unidas, dizem os especialistas.

Ou pode querer surpreender.

O que recebe o vencedor

O laureado ganha uma medalha, um diploma e 11 milhões de coroas suecas (cerca de 1 milhão de euros), além da atenção mediática global.

Curiosidades sobre os Prémios Nobel

Os prémios Nobel nasceram da vontade do cientista e industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896) em legar grande parte de sua fortuna a pessoas que trabalhem para “o benefício da humanidade”.

  • Um erro na origem dos prémios?

Em 12 de abril de 1888, o irmão mais velho de Alfred Nobel, Ludvig, morreu em Cannes, França. Mas o Le Figaro engana-se e anuncia na primeira página a morte de Alfred: "Um homem que dificilmente pode ser considerado um benfeitor da humanidade morreu ontem em Cannes. O senhor Nobel, inventor da dinamite".

Este obituário prematuro terá atormentado Alfred Nobel e terá sido a razão para a criação dos prémios. Talvez por isso Nobel tenha escrito que os prémios distinguiriam aqueles que trabalharam “em benefício da humanidade”.

  • Prémio apenas para pessoas vivas

Desde 1974, os estatutos da Fundação Nobel estipulam que um prémio não pode ser concedido postumamente, a menos que a morte ocorra após o anúncio do nome do vencedor.

Até então, apenas duas personalidades falecidas foram recompensadas: o poeta sueco Erik Axel Karlfeldt (literatura em 1931) e o secretário-geral da ONU Dag Hammarskjöld, que foi assassinado (Nobel da Paz em 1961).

Uma vez o Nobel não foi concedido em homenagem a um vencedor falecido. Foi em 1948, após a morte de Gandhi.

  • Uma fortuna em troca de uma medalha Nobel

Os Prémios Nobel consistem numa soma de 11 milhões de coroas por categoria (cerca de 920.000 euros) e uma medalha de ouro de 18 quilates.

Mas o vencedor do Nobel da Paz de 2021, o jornalista russo Dmitry Muratov, conseguiu transformar ouro em fortuna, em benefício das crianças ucranianas. Em junho, a medalha de 196 gramas recebida pelo co-vencedor de 2021 foi vendida por 103,5 milhões de dólares a um filantropo anónimo, valor que foi doado à UNICEF.

  • Um Nobel pioneiro em 1903 sobre o aquecimento global

O físico e químico sueco Svante Arrhenius recebeu o Nobel da Química em 1903 pela sua "teoria eletrolítica da dissociação".

Mas foi outro trabalho que lhe valeu o estatuto de pioneiro: no final do século XIX, foi o primeiro a teorizar que a combustão de combustíveis fósseis - na época, especialmente o carvão - lançava CO2 para a atmosfera causando o aquecimento do planeta. Segundo os seus cálculos, a duplicação da concentração de dióxido de carbono aqueceria o planeta em 5°C - os modelos modernos preveem de 2,6 a 3,9°C. Longe de suspeitar as quantidades cada vez maiores de combustíveis fósseis que a humanidade viria a consumir, Arrhenius subestimou a velocidade a que esse nível será alcançado e previu que esse aquecimento ocorreria em 3.000 anos.

Os vencedores do Prémio Nobel da Paz

2024 - Organização Nihon Hidankyo, do Japão

2023 - Ativista Narges Mohammadi, do Irão

2022 - Ativista Ales Bialiatski, da Bielorrússia, e organizações Memorial, da Rússia, e Centro de Liberdades Civis, da Ucrânia

2021 - Jornalistas Maria Ressa, das Filipinas, e Dmitry Muratov, da Rússia

2020 - Programa Alimentar Mundial (PAM)

2019 - Abiy Ahmed Ali (Etiópia)

2018 - Denis Mukwege (República Democrática do Congo) e Nadia Murad (Iraque)

2017 - Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN)

2016 - Juan Manuel Santos (Colômbia)

2015 - Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia

2014 - Malala Yousafzai (Paquistão) e Kailash Satyarthi (Índia)

2013 - Organização para a Interdição das Armas Químicas (OIAC)

2012 - União Europeia (UE)

2011 - Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee (Libéria) e Tawakkol Karman (Iémen)

2010 - Liu Xiaobo (China)

2009 - Barack Obama (Estados Unidos)

2008 - Martti Ahtisaari (Finlândia)

2007 - Al Gore (Estados Unidos) e o painel das Nações Unidos sobre o clima (Grupo Intergovernamental de Especialistas em Evolução do Clima, GIEC)

2006 -- Muhammad Yunus (Bangladesh)

2005 - Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) e o seu diretor Mohamed ElBaradei (Egito)

2004 - Wangari Muta Maathai (Nigéria)

2003 - Shirin Ebadi (Irão)

2002 - Jimmy Carter (Estados Unidos)

2001 - Organização das Nações Unidos (ONU) e o seu secretário-geral Kofi Annan (Gana)

2000 - Kim Dae-Jung (Coreia do Sul)

1999 - Médicos Sem Fronteiras (organização não-governamental fundada em França)

1998 - John Humes e David Trimble (Reino Unido)

1997 - Campanha Internacional para a Interdição das Minas Antipessoais e a sua coordenadora Jody Williams (Estados Unidos)

1996 - Carlos Ximenes Belo e José Ramos-Horta (Timor-Leste)

1995 - Movimento antinuclear Pugwash (fundado no Canadá) e Joseph Rotblat (Reino Unido)

1994 - Yitzhak Rabin, Shimon Peres (Israel) e Yasser Arafat (OLP)

1993 - Nelson Mandela e Frederik de Klerk (África do Sul)

1992 - Rigoberta Menchu (Guatemala)

1991 - Aung San Suu Kyi (Myanmar, antiga Birmânia)

1990 - Mikhail Gorbatchev (URSS)

1989 - Dalai Lama (Tibete)

1988 - Forças de Manutenção da Paz das Nações Unidas

1987 - Oscar Arias Sanchez (Costa Rica)

1986 - Elie Wiesel (Estados Unidos)

1985 - Médicos Internacionais para a Prevenção da Guerra Nuclear (fundada nos Estados Unidos)

1984 - Desmond Tutu (África do Sul)

1983 - Lech Walesa (Polónia)

1982 - Alva Myrdal (Suécia) e Alfonso Garcia Robles (México)

1981 - Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR)

1980 - Adolfo Perez Esquivel (Argentina)

1979 - Madre Teresa (Albânia/Índia)

1978 - Anwar al-Sadat (Egito) e Menahem Begin (Israel)

1977 - Amnistia Internacional (fundada no Reino Unido)

1976 - Betty Williams e Mairead Corrigan (Reino Unido)

1975 - Andrei Sakharov (URSS)

1974 - Sean MacBride (Irlanda) e Eisaku Sato (Japão)

1973 - Henry Kissinger (Estados Unidos) e Le Duc Tho (Vietname, que recusou)

1972 - Não atribuído

1971 - Willy Brandt (Alemanha Ocidental)

1970 - Norman Borlaug (Estados Unidos)

1969 - Organização Internacional do Trabalho (OIT)

1968 - René Cassin (França)

1967 - Não atribuído

1966 - Não atribuído

1965 - Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF)

1964 - Martin Luther King Junior (Estados Unidos)

1963 - Comité Internacional da Cruz Vermelha e Liga das Sociedades da Cruz Vermelha

1962 - Linus Carl Pauling (Estados Unidos)

1961 - Dag Hammarskjöld (Suécia)

1960 - Albert Lutuli (África do Sul)

1959 - Philip Noel-Baker (Reino Unido)

1958 - Georges Pire (Bélgica)

1957 - Lester Pearson (Canadá)

1956 - Não atribuído

1955 - Não atribuído

1954 - Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados

1953 - George Marshall (Estados Unidos)

1952 - Albert Schweitzer (França)

1951 - Léon Jouhaux (França)

1950 - Ralph Bunche (Estados Unidos)

1949 - John Boyd Orr of Brechin (Reino Unido)

1948 - Não atribuído

1947 - Conselho do Serviço dos Amigos (The Quakers, fundado no Reino Unido), Comité do Serviço dos Amigos Americano (The Quakers, fundado nos Estados Unidos)

1946 - Emily Greene Balch e John Raleigh Mott (Estados Unidos)

1945 - Cordell Hull (Estados Unidos)

1944 - Comité Internacional da Cruz Vermelha

1943 - Não atribuído

1942 - Não atribuído

1941 - Não atribuído

1940 - Não atribuído

1939 - Não atribuído

1938 - Comité Internacional Nansen para os Refugiados

1937 - Cecil of Chelwood (Reino Unido)

1936 - Carlos Saavedra Lamas (Argentina)

1935 - Carl Von Ossietzky (Alemanha)

1934 - Arthur Henderson (Reino Unido)

1933 - Norman Angell (Reino Unido)

1932 - Não atribuído

1931 - Jane Addams e Nicholas Murray Butler (Estados Unidos)

1930 - Nathan Söderblom (Suécia)

1929 - Frank Billings Kellogg (Estados Unidos)

1928 - Não atribuído

1927 - Ferdinand Buisson (França) e Ludwig Quidde (Alemanha)

1926 - Aristide Briand (França) e Gustav Stresemann (Alemanha)

1925 - Sir Austen Chamberlain (Reino Unido) e Charles Gates Dawes (Estados Unidos)

1924 - Não atribuído

1923 - Não atribuído

1922 - Fridtjor Nansen (Noruega)

1921 - Karl Hjalmar Branting (Suécia) e Christian Louis Lange (Noruega)

1920 - Léon Bourgeois (França)

1919 - Thomas Woodrow Wilson (Estados Unidos)

1918 - Não atribuído

1917 - Comité Internacional da Cruz Vermelha

1916 - Não atribuído

1915 - Não atribuído

1914 - Não atribuído

1913 - Henri La Fontaine (Bélgica)

1912 - Elihu Root (Estados Unidos)

1911 - Tobias Michael Carel Asser (Holanda) e Alfred Hermann Fried (Áustria)

1910 - Gabinete Internacional Permanente da Paz

1909 - Auguste Beernaert (Bélgica) e Paul Henri Balluet d`Estournelles de Constant (França)

1908 - Klas Pontus Arnoldson (Suécia) e Fredrik Bajer (Dinamarca)

1907 - Ernesto Teodoro Moneta (Itália) e Louis Renault (França)

1906 - Theodore Roosevelt (Estados Unidos)

1905 - Baronesa Bertha Sophie Felicita von Suttner (Áustria)

1904 - Instituto de Direito Internacional

1903 - William Randal Cremer (Reino Unido)

1902 - Élie Ducommun e Charles-Albert Gobat (Suíça)

1901 - Jean Henri Dunant (Suíça) e Frédéric Passy (França)