Operação Marquês

"O problema não é a Operação Marquês, é a Justiça portuguesa"

Entrevista SIC Notícias

Entrevista a Nuno Garoupa, professor de Direito.

Para Nuno Garoupa, professor de Direito na George Manson University, o desfecho da decisão instrutória apresentado pelo juiz Ivo Rosa não foi surpreendente pela forma como o próprio juiz tem encarado outros processos.

Mas, segundo o professor, o país acabou por entrar numa discussão do que não é importante, ficou obcecado por José Sócrates, está a olhar para o passado, quando deveria olhar para o futuro. Considera que nada vai mudar agora o rumo da Operação Marquês e de outros processos que agora se seguem, mas que algo pode ser feito agora e que poderá ter resultados positivos nos próximos anos.

"O problema não é a Operação Marquês, é a Justiça portuguesa", argumentou, acrescentando que Portugal leva uns vinte anos de atraso em relação a outros países.

Numa entrevista à SIC Notícias, Nuno Garoupa considera que os principais responsáveis pelo estado da Justiça são os três partidos que estiveram durante os últimos anos na governação: o Partido Socialista, o PSD e o CDS.

Há três semanas os partidos não falavam sobre os megaprocessos no âmbito da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção, mas agora já estão a pensar em "legislar em cima do processo", "como fizeram com o processo Casa Pia", acrescentou o professor.

"É a fatura de anos de inconsciência na área da Justiça e agora estamos a ver alguns resultados", apontou.

Nuno Garoupa considera que os níveis da confiança da opinião pública na ustila são baixos e que o facto de o Tribunal da Relação anunciar que só vai iniciar a apreciações do recurso do Ministério Público no ínicio de 2022, daqui a dez meses, só vai "dilacerar o pouco nível de confiança".

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