Tribeca Festival

Não há nenhum processo "intelectual" na construção de uma personagem: "É uma coisa misteriosa"

Para a atriz norte-americana Edie Falco, conhecida por sucessos como "Os Sopranos" e "Nurse Jackie", não há nenhum processo "intelectual" na forma de dar vida a uma personagem. "É uma coisa misteriosa", diz porque tudo se baseia na intuição e em deixar acontecer naturalmente.

Não há nenhum processo "intelectual" na construção de uma personagem: "É uma coisa misteriosa"
Stephanie Augello

De riso fácil e energia contagiante, Edie Falco encantou a audiência que, atentamente, ouviu a atriz norte-americana falar sobre o processo de construção de uma personagem. Com uma carreira de mais de 35 anos, é mundialmente conhecida por entrar na casa de milhões de pessoas com Carmela, uma das protagonistas da premiada série norte-americana "Os Sopranos".

Uma personagem extrovertida e completamente livre. Um oposto de si, diz - que confessa ser muito envergonhada - por isso, torna-se "divertido" que a levava a explorar traços completamente opostos. A atriz interpretou Carmela Soprano de oito anos, arrecadando vários prémios.

Pela primeira vez em Portugal, a atriz participou esta sexta-feira, juntamente com Giancarlo Esposito, na talk "The weight of a character" ("O peso de uma personagem"). A conversa foi moderada por Tony Gonçalves e abordou os métodos usados - ou a falta deles - para encontrar uma personagem.

Para a atriz, que também protagonizou sucessos como "Nurse Jackie", não há nenhum processo "intelectual" na forma de dar vida a uma personagem. "É uma coisa misteriosa", diz porque tudo se baseia na intuição e em deixar acontecer naturalmente.

"As decisões acontecem no seu próprio tempo, como acontece com a vida (...) Para mim tem muito a ver com o espaço, com as pessoas, com o set. O espaço e as pessoas são muito importantes e depois [a personagem] simplesmente aparece", diz Edie Falco

"O que fazemos com a vida é confuso"

Uma "fórmula" também utilizada por Giancarlo Esposito que passa por permitir que o personagem cresça. O anti-herói de Breaking Badexplica que começa por ler o guião algumas vezes e percebe se há alguma voz que "aparece". Só aí é que começa a tomar decisões sobre a personagem, mas sempre permitindo que a "voz" continue a crescer.

"A primeira coisa que faço é tirar a minha voz - sou uma ator de teatro estou habituado a projetar a voz, por isso é que sussurro", explica Giancarlo Esposito que acrescenta "nós convidamo-la a entrar e, apesar de para mim a preparação ser tudo, deixo espaço para que as coisas aconteçam".

Mas há mais pontos onde os dois atores concordam. "O que fazemos com a vida é confuso (...) não sou só eu, não é só a personagem… somos dois e tudo é muito automático", diz Edie. Mas, apesar disso, na hora de ir para casa, a separação de papéis é fácil de ser feita."

Os dois atores viajaram para Lisboa para participar na segunda edição do Tribeca. O festival acontece no Beato, em Lisboa, de 30 de outubro a 1 de novembro. Conta com cinco palcos, onde o público poderá assistir a estreias de filmes e séries, conversas com estrelas nacionais e internacionais e ainda podcasts ao vivo.

  • Veja aquio guia essencial para o Tribeca Festival Lisboa 2025.