A chuva intensa que se prevê que continue a cair no Algarve levou esta manhã o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a elevar o aviso de amarelo para vermelho, o mais grave dos três níveis. O comando sub-regional do Algarve da Proteção Civil informou que a chuva que caiu às primeiras horas do dia já fez com que todos os meios disponíveis fossem enviados "para muitos dos locais onde se têm verificado inundações, sobretudo em Faro e Vila Real de Santo António".
Em entrevista à SIC Notícias, Duarte Costa, mestre em Alterações Climáticas, avisa que “a situação nas próximas horas é mais preocupante a Sul, mas na sexta-feira o risco será bastante elevado a Norte, sobretudo na região Centro”. O especialista aponta Viseu e Aveiro como distritos a acompanhar com especial atenção, face à possibilidade de cheias súbitas.
Para o investigador, fenómenos como os que se registaram em Oeiras nas últimas horas “não se explicam apenas pela intensidade da chuva, mas pela forma como o território é gerido”. Duarte Costa sublinha também que “a infraestrutura do concelho não está preparada para o tipo de território que Oeiras se transformou” e critica a “política de impermeabilização” que impede a drenagem natural das águas.
Duarte Costa defende que a repetição destes episódios extremos deve ser encarada como um sinal claro da crise climática e da urgência em reduzir emissões. “Nós não temos levado a descarbonização a sério”, afirma e lembra que o aquecimento dos oceanos está a tornar cada vez mais frequentes e destrutivos os fenómenos meteorológicos intensos.
