A Barragem do Alqueva vai iniciou esta quarta-feira descargas controlas, através da abertura dos descarregadores de meio fundo, para responder ao facto de a albufeira se encontrar próxima do Nível de Pleno Armazenamento, devido à passagem da depressão Kristin.
Em comunicado, a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) revelou que, às 16:00, ia "abrir os descarregadores de meio fundo da barragem" para efetuar "descargas controladas".
Esta operação visa responder "à persistência de caudais afluentes elevados no Sistema Alqueva-Pedrógão, que elevaram os níveis da albufeira para valores próximos do Nível de Pleno Armazenamento", explicou a empresa.
"Prevê-se um caudal de descarga inicial de 600 metros cúbicos por segundo (m3/s) que, somado ao caudal turbinado, perfaz um caudal lançado total de 1.200m3/s", informou a EDIA.
A água proveniente das descargas de Alqueva vai seguir até à Barragem do Pedrógão, que também está integrada neste empreendimento de fins múltiplos e já está a descarregar desde o passado dia 21 deste mês para o Rio Guadiana.
"O caudal descarregado na Barragem de Pedrógão será na ordem dos 1500 m3/s", revelou a empresa gestora do Empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva (EFMA).
Segundo a empresa, "o armazenamento em Alqueva vinha a ser gerido, prioritariamente, através do turbinamento das centrais hidroelétricas, permitindo regular os volumes e assegurar a produção de energia".
Em paralelo, explicou, "a Barragem de Pedrógão, situada a 23 quilómetros a jusante, efetuava descargas que contribuíam para a gestão dos caudais afluentes".
"Contudo, face à persistência de afluências elevadas, tornou-se necessário complementar esta operação com descargas controladas também em Alqueva, garantindo a manutenção das margens de segurança operacionais da albufeira", justificou.
As descargas iniciadas em Alqueva vão "provocar uma subida dos níveis e caudais do Rio Guadiana a jusante das barragens de Alqueva e Pedrógão, situação que está a ser acompanhada de forma permanente pela EDIA em articulação com as entidades competentes", pode ler-se no comunicado.
A empresa, que garantiu estar a motorizar a evolução hidrológica em permanência, solicitou a colaboração das autoridades locais, agentes de proteção civil e população, no sentido de garantir a salvaguarda de pessoas e bens, recomendando especial atenção às zonas ribeirinhas e áreas potencialmente inundáveis, bem como a adoção de comportamentos preventivos.
A cota máxima da albufeira de Alqueva é a 152, que corresponde a uma capacidade total de armazenamento de 4.150 hectómetros cúbicos de água.
Últimas descargas controladas no Alqueva foram em 2013
A última operação de descargas controladas na Barragem do Alqueva foi efetuada em 2013, também para gerir o volume de água da albufeira, que se aproximou da capacidade máxima de armazenamento, lembrou a EDIA.
Alqueva atingiu pela primeira vez o Nível de Pleno Armazenamento em 2010, oito anos após fecho das comportas, o que motivou a primeira operação de descargas, repetida ainda em 2011.
Também em 2014, 2024 e 2025 a albufeira atingiu a capacidade máxima de armazenamento, mas não houve necessidade de proceder ao descarregamento de água, porque os níveis foram controlados através do turbinamento da central hidroelétrica.
