Para António Bento-Gonçalves, o problema já não é saber onde estão os riscos, mas sim a incapacidade de adaptar planos, infraestruturas e mensagens a uma realidade de eventos extremos cada vez mais frequentes.
Em entrevista na SIC Notícias, o especialista em gestão do território lembra que as áreas mais suscetíveis a inundações estão bem identificadas há décadas.
“Em relação às cheias, isso já conhecemos muito bem: Ponte de Lima, Porto, o Tejo, o Baixo Mondego, Alcácer do Sal. Estão muito bem definidas”, afirma, sublinhando que o verdadeiro desafio está na resposta e na prevenção. Já no caso das tempestades, explica, “não há uma região mais propensa, porque tudo depende do local por onde entram”.
António Bento-Gonçalves considera que os municípios têm instrumentos importantes, mas alerta que estes não acompanham a atual realidade climática. “Vamos ter de adaptar todos os nossos planos, do ordenamento do território à Proteção Civil, porque estamos numa situação de emergência climática”, defende.
Na opinião de Bento-Gonçalves, a comunicação é uma das maiores fragilidades: “Um simples SMS é muito pouco. As mensagens têm de ser claras, dirigidas e adaptadas às pessoas”, afirma. Para o geógrafo, a falta de comunicação eficaz agrava injustiças sociais: “Quem sofre mais são os mais pobres, os mais idosos e os mais isolados”, concluindo que sem uma estratégia integrada o país continuará “sempre a correr atrás do prejuízo”.
