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Neandertal coexistiu durante 5.400 anos com o Homem Moderno na Europa

Um nova análise dos vestígios de 40 sítios  arqueológicos, desde a Rússia até Espanha, permitiu concluir que o Homem  Neandertal coincidiu na Europa com o Homem Moderno durante um período de  2.600 a 5.400 anos.  

Imagem de uma exposição do Museu Neandertal na Croácia / Reuters

Imagem de uma exposição do Museu Neandertal na Croácia / Reuters

© Nikola Solic / Reuters

A partir de uma técnica melhorada de datação por radiocarbono, investigadores  liderados por uma equipa da Universidade britânica de Oxford detalham, num  estudo publicado na quarta-feira na revista "Nature", que o homem do Neandertal  desapareceu da Europa há cerca de 40.000 anos.  

Não foi uma extinção abrupta, segundo os cientistas, mas sim um processo  gradual que seguiu o seu próprio ritmo em diferentes partes do continente.

A nova cronologia destaca o padrão que seguiu o desaparecimento do homem  do Neandertal e "sugere que provavelmente algumas pequenas populações sobreviveram  em locais específicos da Europa antes da extinção", explica Thomas Higham,  responsável pela investigação. 

Os milénios em que os Neandertais (Homo neanderthalensis) e os homens  modernos (Homo sapiens) coincidiram no velho continente representam "um  perído amplo para a transmissão de comportamentos culturais e simbólicos,  assim como para possíveis intercâmbios genéticos", sublinha o estudo. 

Os investigadores descrevem a Europa desse período de transição, entre  o paleolítico médio e superior, como um "mosaico de populações". 

De acordo com os autores do estudo, há 45.000 anos, antes de se iniciar  esse processo de intercâmbio, a Europa era essencialmente Neandertal, com  pequenos núcleos de homens modernos em certas regiões.  

Essa distribuição mudou nos milénios seguintes, uma evolução que foi  forjada ao longo de 25 a 250 gerações, dependendo da localização geográfica.

O professor da Universidade do País Basco Álvaro Arrizabalaga, um dos  investigadores que participa no estudo, observou que embora não se possa  descartar a possibilidade de ter havido trocas culturais e genéticas entre  os grupos tal constitui a "grande pergunta que continua por responder na  Europa". 

"Sabemos que houve (intercâmbio) no Médio Oriente", acrescentou. 

Determinar a relação espacial e temporal entre o homem do Neandertal  e o homem moderno é essencial para compreender o processo que levou ao desaparecimento  do primeiro.  

As limitações técnicas têm figurado como um dos grandes desafios para  os investigadores nesse campo, uma vez que os vestígios arqueológicos com  cerca de 50.000 anos conservam muito pouco carbono-14, pelo que é difícil  obter datações precisas.  

Para este novo estudo, os cientistas voltaram a analisar amostras de  sítios arqueológicos europeus chave, à luz da técnica de datação por radiocarbono  com o uso de Espectrometria de Massas com Aceleradores (ou AMS, em inglês),  para determinar o período Musteriense, que terminou há entre 41.030 e 39.260  anos na Europa. 

 

Lusa

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