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França, Alemanha e Reino Unido "lamentam" saída dos EUA do acordo nuclear

O Presidente francês, Emmanuel Macron, acompanhado da primeira-ministra britânica, Theresa May, e da chanceler alemã, Angela Merkel

Francois Lenoir

O Presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou esta terça-feira, através de uma mensagem publicada na rede social Twitter, que o seu país, a Alemanha e o Reino Unido lamentam a retirada dos EUA do acordo nuclear com o Irão.

"A França, a Alemanha e o Reino Unido lamentam a decisão norte-americana de abandonar o acordo nuclear iraniano. O sistema internacional de luta contra a proliferação de armas nucleares está em jogo", disse Macron.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou hoje que os Estados Unidos abandonam o acordo nuclear assinado entre o Irão e o grupo dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha.

Donald Trump afirmou que tem "a prova" de que o Irão mentiu sobre o seu programa nuclear, classificando aquele país como "um regime de grande terror".

O acordo foi concluído em julho de 2015 entre o Irão e o grupo 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU -- EUA, Rússia, China, França e Reino Unido -- e a Alemanha) e visa, em troca de um levantamento progressivo das sanções internacionais, assegurar que o Irão não desenvolve armas nucleares.

Conseguido depois de 21 meses de duras negociações, o acordo foi assinado, por parte dos Estados Unidos, pelo antecessor de Trump, Barack Obama.

As críticas do Trump ao pacto remontam à campanha para as presidenciais norte-americanas de 2016, quando afirmou que o acordo assinado por Barack Obama é "desastroso" e "o pior acordo alguma vez negociado" e prometeu que a sua "prioridade número um" seria "desmantelá-lo".

Para os Estados Unidos, e alguns aliados como Israel, o acordo é insuficiente e inclui disposições que permitem ao Irão desenvolver um programa militar dentro de alguns anos.

A União Europeia (UE), os países europeus signatários do acordo, a Rússia e a China defendem a manutenção do pacto, argumentando que ele impede efetivamente o Irão de desenvolver armas nucleares nos próximos anos.

Do lado iraniano, o principal interesse é não ser excluído do sistema financeiro e comercial mundial.

Lusa