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Investigação jornalística independente associa oficial russo a abate do voo MH17

Destroços do míssil que atingiu o voo MH17 apresentados a 24 de maio de 2017 pela equipa internacional conjunta que investiga o caso (JIT MH17).

Francois Lenoir / Reuters

Uma investigação jornalística liderada pelo site Bellingat revela o nome do militar que comandava as operações no dia do abate do voo MH17. Também hoje, a Holanda e a Austrália responsabilizaram formalmente a Rússia pelo lançamento do míssil, declaração que abre caminho a processos judiciais a nível internacional.

Holanda e Austrália podem avançar com processos contra a Rússia

Os Governos holandês e australiano - países de origem de muitos dos que morreram no incidente - consideram a Rússia "formalmente responsável pela ativação da instalação do [sistema de mísseis] BUK com que se derrubou" o MH17.

"Exigimos que a Rússia assuma a sua responsabilidade e coopere plenamente com a descoberta da verdade e para fazer justiça com as vítimas do voo MH17 e seus familiares", afirmou o ministro holandês dos Assuntos Exteriores, Stef Blok, em comunicado.

Está assim aberto o caminho para que ambos os países instaurem processos judiciais internacionais, perante uma organização ou um juiz internacional. Com este passo formal inicia-se "um processo legal complexo", reconhece o Ministério holandês.

As autoridades russas já foram informadas por ambos os países deste passo, que é uma ferramenta que pode ser usada pelos Estados quando outros "não cumprem as regras do Direito Internacional", acrescenta a nota.

Míssil foi lançado de unidade militar russa

O anúncio surge um dia depois de os investigadores internacionais (JIT MH17) concluírem que o míssil que abateu o voo MH17 quando sobrevoava a Ucrânia em 2014 foi lançado de uma unidade militar russa.

A Rússia tem negado sempre qualquer envolvimento no disparo de um míssil que abateu o voo da Malaysia Airlines a 17 de julho de 2014 e, na quinta-feira, já depois do anúncio das conclusões da investigação internacional, insistiu que o abate é da responsabilidade da Ucrânia.

O voo MH17 saiu de Amesterdão, na Holanda, e tinha como destino Kuala Lumpur, na Malásia, quando foi atingido por um míssil a leste da Ucrânia, a 17 de julho de 2014. Todos as 298 pessoas que seguiam no avião, na maioria holandesas ou australianas, morreram no acidente.

bellingcat

Consórcio de jornalismo de investigação identifica homem por trás do míssil

Uma investigação jornalística conjunta publicada no site Bellingat revela o nome do militar que comandava as operações no dia do abate do voo MH17.

"Com elevado grau de certeza" a pessoa identificada como ‘Andrey Ivanovich’ ou 'Orion' na investigação da equipa internacional que faz a investigação criminal (JIT MH17) ao abate do MH17, "é o cidadão russo Oleg Vladimirovich Ivannikov, nascido a 2 de abril de 1967".

Na altura do abate do MH17, Oleg Ivannikov era um oficial de alta patente do Diretorado Principal do Ministério da Defesa Russo (GRU) e esteve em funções até pelos menos setembro de 2017.

Reconstrução do avião da Malaysia Airlines abatido em 2014 quando sobrevoava a Ucrânia

Reconstrução do avião da Malaysia Airlines abatido em 2014 quando sobrevoava a Ucrânia

Reuters