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Descoberta "proteína-chave" para o desenvolvimento do autismo

Harrison, de 5 anos, é autista e interage com o Kaspar, o robot em forma humana desenvolvido pela universidade de Hertfordshire, para melhorar a capacidade de interação e socialização das crianças autistas, na cidade de Stevenage, no Reino Unido.

Reuters Staff

Uma equipa internacional de cientistas descobriu que uma alteração da proteína CPEB4, encarregada do desenvolvimento dos genes necessários para a atividade neuronal, poderá ser uma causa de predisposição para o autismo.

Os resultados desta investigação, que identificam a proteína CPEB4 como um "novo alvo terapêutico" para onde dirigir futuros estudos, foram publicados pela revista Nature, indicou hoje o Conselho Superior de Investigações Científicas espanhol (CSIC) em comunicado.

A investigação, coliderada por José Lucas, investigador do CSIC e do Centro de Investigação Biomédica em Rede sobre Doenças Neuro-degenerativas, e por Raúl Méndez, investigador do Instituto de Investigação Biomédica de Barcelona, estudou como os defeitos na proteína CPEB4 podem fazer com que o desenvolvimento de 200 genes se desregule, o que aumenta a suscetibilidade ao autismo.

"Este trabalho é um exemplo de como a expressão de centenas de genes tem que estar perfeitamente coordenada para o correto funcionamento dos órgãos e das células que o compõem, neste caso os neurónios e o cérebro", explicou Méndez.

Os cientistas avaliaram também a função da proteína CPEB4 como "um possível elo" entre os fatores ambientais que alteram o desenvolvimento do cérebro, tal como as infeções durante a gravidez, e os genes com predisposição para o autismo.

Na maioria dos casos, o transtorno autista não tem associado qualquer sintoma específico, nem na aparência da pessoa, nem na neurologia, manifestando-se apenas pelo interesse limitado do doente em relação a certas atividades e pela dificuldade em relacionar-se com os outros.

Segundo os investigadores, conhecer as bases biológicas do autismo pode facilitar a elaboração de futuras terapias experimentais e de ferramentas para um melhor diagnóstico da doença.