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Mundo está cada vez mais quente - e os impactos são cada vez mais perigosos

Em Moçambique, o ciclone Idai que passou a 14 de março, devastou o centro do país, destruindo tudo à passagem e provocando graves inundações.

TIAGO PETINGA

A Organização Meteorológica Mundial avisa que os impactos físicos e económicos do aquecimento global estão a acelerar.

Os gases com efeito de estufa na atmosfera estão a aumentar a temperatura "para níveis cada vez mais perigosos", alerta a Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês), no relatório anual sobre o Estado do Clima em 2018, relatório que é publicado há 25 anos.

Quando o estudo foi publicado pela primeira vez, em 1993, os níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera estavam em 357 partes por milhão (ppm). Estão agora nos 405,5 ppm e com tendência para aumentar cada vez mais.

Estes valores têm um impacto muito significativo nas temperaturas, com os anos 2015 a 2018 a serem os mais quentes desde que há registos, com 1ºC acima dos valores do final do século XIX.

"Este relatório mostra claramente que os impactos das alterações climáticas estão a acelerar", declarou à BBC Samantha Hepburn, diretora do Centro para a Energia e Recursos naturai na Universidade Deakin, na Austrália.

"Sabemos que se continuar a atual trajetória de concentração dos gases com efeito de estufa (na atmosfera), as temperaturas poderão aumentar entre 3 a 5ºC, comparando com os níveis pré-industriais, até ao fim deste século - e já alcançámos 1ºC mais".

Os glaciares antes e depois das alterações climáticas

Água dos oceanos cada vez mais quente

Em 2018, a temperatura da água dos oceanos alcançou níveis recorde, alerta a ONU, muito preocupada com os riscos que corre a vida marinha.

A subida do nível das águas também continua "a um ritmo acelerado". Deve-se sobretudo ao "ritmo acrescido da perda de massa glaciar".

Fenómenos meteorológicos extremos cada vez mais frequentes

Em 2018, a maioria dos fenómenos naturais - responsáveis por perto de 62 milhões de mortes - estava ligada a condições meteorológicas e climáticas extremas. Ciclones ou inundações, são exemplos disso, as últimas responsáveis pela morte de 35 milhões de pessoas.

Mais de 1600 mortes foram associadas a vagas de calor intensas e aos incêndios que atingiram a Europa, o Japão e os Estados Unidos. Os danos materiais aproximaram-se dos 24 mil milhões de dólares nos EUA, com os furacões Florence e Michael a provocarem prejuízos de 14 millhões de euros.

A oriente, o super tufão Mangkhut atingiu 2,4 milhões de pessoas e matou 134, sobretudo nas Filipinas.


Na Índia, o estado de Kerala foi atingido pelas chuvas mais intensas e pelas inundações mais abundantes e devastadoras em mais de um século.