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Presidência brasileira divulga vídeo em defesa do golpe militar de 1964

O vídeo conta com a narração de um homem que afirma: "O Exército salvou-nos. Não há como negar."

O Palácio do Planalto, sede do gabinete presidencial do Brasil, distribuiu hoje, através da aplicação Whatsapp, um vídeo em defesa do golpe militar de 1964, que deu origem à ditadura no país.

O vídeo, com quase dois minutos de duração, conta com a narração de um homem que afirma: "O Exército salvou-nos. Não há como negar. E tudo isso aconteceu num dia comum como o de hoje, um 31 de março. Não dá para mudar a história".

A narrativa do vídeo assemelha-se ao discurso adotado pelo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, de que o país não viveu uma ditadura entre 1964 e 1985, mas sim um "regime com autoridade".

"Era um tempo de medo e ameaças, ameaças daquilo que os comunistas faziam (...) prendiam e matavam os seus próprios compatriotas. (...) Foi aí que, invocado por jornais, rádios, televisões e, principalmente, pelo povo na rua, povo de verdade (...) o Brasil lembrou-se que possuía um Exército Nacional e apelou a ele. Foi só aí que a escuridão, graças a Deus, foi passando, passando, e fez-se luz", diz o narrador do vídeo.

O jornal Estadão falou com o Palácio do Planalto que confirmou ter divulgado o vídeo, porém, declarou que não se iria pronunciar sobre o assunto.

O vídeo foi ainda partilhado na rede social Twitter pelo deputado federal e filho do Presidente, Eduardo Bolsonaro.

"Num dia como o de hoje o Brasil foi libertado. Obrigado militares de 64! Duvida? Pergunte aos seus pais ou avós que viveram aquela época como foi", escreveu Eduardo Bolsonaro.

Durante o dia de hoje, manifestantes saíram às ruas de vários estados brasileiros para se manifestarem contra e a favor da ditadura no país, de que se assinalam hoje 55 anos.

Cerca de 400 pessoas protestaram hoje nas ruas da capital, Brasília, contra a decisão do Presidente Jair Bolsonaro de celebrar a data, informou à Lusa a Polícia Militar.

"Ditadura nunca mais" ou "mais amor e menos ódio" foram algumas das frases que se puderam ler nas faixas de protesto utilizadas pelos manifestantes, que se vestiram maioritariamente de branco

Washington Alves

Duas manifestações, uma contrária e outra a favor, foram promovidas hoje em Belo Horizonte para registar os 55 anos do golpe de estado que instaurou a ditadura militar no Brasil, segundo a imprensa brasileira.

A maioria dos participantes contra a ditadura foram vestidos de preto e carregavam faixas com críticas a esse período da história brasileira. Segundo o portal de notícias G1, os manifestantes também gritaram palavras de ordem contra o presidente Bolsonaro.

Um outro grupo, com aproximadamente 50 pessoas reuniu-se também em Belo Horizonte em comemoração daquilo a que chamam de "movimento cívico-militar de 1964".

Os participantes do ato negam que o Brasil tenha passado por uma ditadura, argumentando que existia liberdade de entrar e sair do país, não havia ditador e sim vários líderes militares que se revezaram no poder, diz ainda o G1.

Também em Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, um grupo de manifestantes levou cartazes de protesto contra a ditadura, falando sobre a liberdade de imprensa, a cultura e a censura.

Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco foram algumas das cidades que acolheram protestos contra o golpe militar de 1964, e a decisão de Jair Bolsonaro de o celebrar.

O golpe militar que depôs o então Presidente brasileiro João Goulart, descendente de portugueses, ocorreu em 31 de março de 1964, iniciando-se depois uma ditadura no país que durou 21 anos.

A organização internacional Human Rights Watch (HRW) frisou que nesse período cerca de 20.000 pessoas foram torturadas e pelo menos 434 pessoas foram assassinadas ou desapareceram.

Lusa

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