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Coreia do Sul antecipa-se a lançar 5G para vencer corrida tecnológica

Rafael Marchante

Lançamento oficial estava previsto para sexta-feira.

A Coreia do Sul antecipou-se e lançou as redes de quinta geração móvel (5G) horas antes do previsto, garantindo que é o primeiro país do mundo a disponibilizá-las, antes de dois estados norte-americanos.

Inicialmente previsto para sexta-feira, o lançamento oficial das redes 5G na Coreia do Sul - através das operadoras de telecomunicações nacionais KT Corporation, a SK Telecom e a LG Uplus - acabou por acontecer na quarta-feira à noite, horas antes de a companhia norte-americana Verizon ligar a sua infraestrutura, ainda limitada, nas cidades de Minneapolis e Chicago.

A mudança de planos aconteceu após uma reunião entre as operadoras, o Governo e a entidade reguladora do país, que permitiu modificar os termos do serviço para alguns utilizadores sul-coreanos se registarem mais cedo.

A Coreia do Sul garantiu, assim, o primeiro lugar nesta 'corrida' tecnológica.

Porém, estas redes estão, para já, limitadas a algumas personalidades do país, sendo que os restantes clientes residentes na capital da Coreia do Sul, Seul, ou em outras grandes cidades se podem registar a partir de sexta-feira. O objetivo das empresas KT Corporation, a SK Telecom e a LG Uplus é disponibilizar 5G em 85 cidades do país até ao final do ano.

Segundo o ministro sul-coreano de Ciência e Tecnologia da Informação, You Young-min, "o governo e as empresas privadas uniram-se para assegurar a comercialização dos primeiros serviços 5G no mundo".

"Isso prova, mais uma vez, que o nosso país é sem dúvida a principal potência em informação e comunicação", adiantou.Antes da data conhecida esta semana, a comercialização do 5G na Coreia da Sul era apontada para o segundo semestre deste ano.

O país chegou a testar esta tecnologia numa zona limitada dos jogos olímpicos de inverno, em fevereiro do ano passado, na região de PyeongChang.

Nesta nova tecnologia móvel haverá mais velocidade, maior cobertura e mais recursos.Nos Estados Unidos, a Verizon anunciou na quarta-feira que iria ligar a sua "rede 5G Ultra Banda Larga em áreas selecionadas de Minneapolis e Chicago, uma semana antes do previsto".

Em causa estão "velocidades até um Gbps [Gigabyte por segundo], notou a operadora num comunicado divulgado no seu 'site'.

Os Estados Unidos também competem com a Coreia do Sul sobre o primeiro telemóvel apto para a tecnologia 5G, com a Verizon a notar, na informação divulgada na quarta-feira, que esta oferta comercial apenas é possível, para já, com o 'smartphone' Moto Z3 da norte-americana Motorola, cujo sistema operativo é compatível com a nova infraestrutura da operadora.

Na sexta-feira, na Coreia do Sul, será lançado o primeiro telemóvel de raiz apto para 5G da fabricante sul-coreana Samsung, o Galaxy S10 5G.

O desenvolvimento do 5G tem, porém, vindo a ser marcado por polémicas relacionadas com a fabricante chinesa Huawei.

A Huawei é acusada de espionagem industrial e outros 12 crimes pelos Estados Unidos, país que chegou a proibir a compra de produtos da marca em agências governamentais e que tem tentado pressionar outros, como Portugal, a excluírem a empresa no desenvolvimento das redes 5G.

Portugal já disse que não o fará e desvalorizou a polémica.A Huawei tem também rejeitado as suspeitas, insistindo que não tem 'portas traseiras' para aceder e controlar qualquer dispositivo sem o conhecimento do utilizador.

Lusa