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PSOE de Pedro Sánchez vence eleições em Espanha sem maioria absoluta

Sergio Perez

O partido de Sánchez consegue mais de 28% dos votos, elegendo 123 deputados ao Parlamento.

Última atualização às 00:05

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) venceu as eleições deste domingo em Espanha com 28,6% dos votos.

PSOE: 28,6% (123 deputados)
PP: 16,6% (65 deputados)
Cs: 15,8% (57 deputados)
Podemos: 11,9% (35 deputados)
Vox: 10,2% (24 deputados)
ERC: 3,9% (15 deputados)
Juntos pela Catalunha: 1,9% (7 deputados)
Partido Nacionalista Basco: 1,5% (6 deputados).

A futura composição da câmara baixa das Cortes Gerais espanhola está assim repartida pelos cinco principais partidos e por outros regionais mais pequenos, como os separatistas catalães e os nacionalistas bascos.

Como partido mais votado, o PSOE vai tentar encontrar o apoio de outros para tentar alcançar uma maioria absoluta de 175 mais um num total de 350 deputados.

A tarefa não vai ser fácil, mesmo que à partida conte com o apoio do Unidas Podemos, o seu principal parceiro que o apoiou no parlamento desde junho de 2018, quando conseguiu afastar o Governo do PP.

O balanço da noite eleitoral

O desafio de formar Governo

O PSOE teria, nomeadamente, de se entender com os partidos independentistas catalães - Esquerda Republicana da Catalunha com 15 deputados e Juntos pela Catalunha com sete - os mesmos que ajudaram Pedro Sánchez a chegar a primeiro-ministro, mas que em fevereiro foram os principais responsáveis pela sua queda e pela marcação das eleições.

Os socialistas poderão também explorar uma eventual coligação pós-eleitoral com o Cidadãos, apesar dos dois partidos terem, antes das eleições, repetido que não se iriam aliar, preferindo associar-se a movimentos dentro do seu próprio bloco político, um de esquerda e o outro de direita.

As eleições ficam ainda marcadas pelo mau resultado do conjunto de partidos de direita que não conseguiram repetir a maioria absoluta conseguida na região da Andaluzia, em dezembro passado, que expulsou o executivo regional socialista no poder há 38 anos.

A extrema-direita do Vox conseguiu a subida eleitoral que as sondagens já previam, dos 0,2% da votação alcançada em junho de 2016, sem eleger nenhum deputado, consegue agora mais de 10% e 24 lugares no parlamento.

Adesão às urnas de 75%

A participação nas eleições foi de 75,75%, uma cifra 9,2 pontos percentuais superior à registada no escrutínio de 2016, que foi 66,48%.

A porta-voz do executivo, Isabel Celaá, e o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska agradeceram em nome do Governo a elevada participação "a todos os espanhóis que foram votar para dar sentido à democracia", afirmou Celaá, que reiterou que a votação decorreu sem incidentes de registo.

O que diziam as primeiras projeções?

Uma projeção divulgada pela televisão pública espanhola indicava que o PSOE (socialista), com 28,1%, era o mais votado nas eleições gerais, com o Vox (extrema-direita) a entrar pela primeira vez no parlamento com 12,1%.

A projeção da TVE avançava o PSOE com 28,1% seguido pelo PP (Partido Popular, direita) com 17,8%, Cidadãos (direita liberal) com 14,4%, Unidas Podemos (extrema-esquerda) com 16,1% e Vox com 12,1%.

Os doze mil eleitores contactados na projeção deram aos socialistas a possibilidade de ter entre 116 e 121 lugares no Congresso de Deputados (parlamento) longe da maioria absoluta de 175 mais um parlamentar num total de 350.

Tanto o bloco de partido de esquerda (PSOE e Unidas Podemos) como o de direita (PP, Cidadãos e Vox) ficam aquém da desejada maioria de 176 deputados.

Os socialistas deverão assim, mais uma vez, ficar dependentes de partidos regionais mais pequenos, como os nacionalistas bascos e os independentistas catalães para formar Governo.

Estes últimos apoiaram no parlamento o primeiro-ministro Pedro Sánchez a chegar ao poder em junho de 2018, mas também foram responsáveis pela sua queda passados 10 meses.

Se os resultados desta sondagem se confirmarem, significa que o PP, que até há poucos anos alternava com o PSOE na condução dos executivos espanhóis, tem a sua votação mais baixa de sempre.

Nas últimas eleições gerais, realizadas em junho de 2016, o PP obteve 33,0% dos votos (137 deputados), o PSOE 22,7% (85), o Unidos Podemos 21,1% (71), o Cidadãos 13,1% (32), havendo ainda uma série de pequenos partidos regionais com menor representação (25).

Urnas encerraram no continente e nas Baleares

As assembleias eleitorais encerraram às 20:00 locais (19:00 em Lisboa) em Espanha continental e nas Baleares, enquanto nas Ilhas Canárias encerraram uma hora mais tarde, tendo as eleições decorrido com normalidade e sem incidentes.

Segundo a agência espanhola Efe, após o encerramento das assembleias eleitorais nas Canárias (20:00 em Lisboa) começa o escrutínio dos 23.196 eleitores inscritos naquele círculo eleitoral.

Os espanhóis exerceram hoje o seu direito ao voto para escolher os 350 deputados e 208 senadores das Cortes Gerais, havendo ainda eleições regionais na Comunidade Valenciana.

Com Lusa

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