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Junta Militar do Sudão compromete-se a convocar eleições dentro de 9 meses

A oposição sudanesa classificou a proposta como uma tentativa de "reeditar" os passos do ex-Presidente Omar al-Bashir.

O presidente do Conselho Militar Transitório do Sudão, Abdelfatah Burhan, anunciou hoje a suspensão de todos os acordos alcançados nas últimas semanas com a oposição e comprometeu-se a convocar eleições num prazo de nove meses.

A ideia foi já rejeitada pela oposição sudanesa, que classificou a proposta como uma tentativa de 'reeditar' os passos do ex-Presidente Omar al-Bashir, deposto pelos militares em abril.

O anúncio de Burhan foi feito num discurso na televisão sudanesa depois de, na segunda-feira, as Forças Armadas terem lançado uma operação militar para desmobilizar o acampamento de opositores em Cartum que resultou em pelo menos 35 mortos e centenas de feridos.

O chefe da junta militar, que governa o país após a deposição do Presidente Omar al Bashir, em 11 de abril, lamentou as mortes e ordenou uma investigação aos acontecimentos.

Por outro lado, acusou as Forças para a Liberdade e Mudança, plataforma que reúne os vários movimentos opositores, de prolongar as negociações e de excluir a junta militar e outras forças políticas para criar um regime "totalitário" como o de Al-Bashir.

Anunciou que promoverá a realização de eleições num prazo máximo de nove meses e que, até lá, a junta militar encabeçará um Governo em funções "para impor a paz no país, permitir as liberdades e castigar os elementos" do anterior regime.

O acampamento, epicentro da revolução que levou à deposição de Omar al-Bashir, foi totalmente destruído, segundo denunciou a oposição, que anunciou a suspensão das negociações com os militares.

A junta militar argumentou que a intervenção foi uma ação dirigida contra delinquentes que se tinham infiltrado entre os manifestantes.

Os militares tinham pedido repetidamente à oposição a desmobilização do acampamento para retomar a normalidade no país, mas os ativistas mantiveram-se em frente ao Quartel-General das Forças Armadas, em Cartum, até segunda-feira.

Os manifestantes, que conseguiram que a cúpula militar demitisse vários generais próximos de Al-Bashir, mantinham a pressão nas ruas para que uma autoridade civil assumisse o poder, numa altura em que as negociações com a junta militar estavam num impasse.

Militares e opositores tinham conseguido vários acordos como a formação de um Conselho Soberano transitório integrado por civis e militares, que dirigiria o país nos próximos três anos.

No entanto, não conseguiram chegar a acordo quanto aos nomes a integrar esse conselho, com os militares a reclamarem a presidência e uma ampla representação, algo que foi rejeitado pela oposição, que queria uma liderança civil.

A Associação dos Profissionais Sudaneses, que lidera o movimento de oposição, recusou já, em comunicado, a proposta da junta militar, que classificou como "golpista" e acusou de estar a tentar reativar os planos de Al-Bashir ao propor a realização de eleições em 2020.

"É o mesmo caminho que começou o seu antecessor", afirmou o grupo.

Um dirigente do Partido da Conferência, Omar al-Daquir, adiantou também, citado pela agência de notícias espanhola EFE, que rejeita a convocatória de eleições.

"Recusamos as suas palavras e recusamos as eleições antecipadas antes de instalar as bases do Estado e que se levem à justiça todos os membros do regime de Al-Bashir", disse.

LUSA

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