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Curdos sírios entregam às autoridades belgas seis órfãos de famílias de jihadistas

Kai Pfaffenbach

A decisão de repatriar as seis crianças, que não possuem "qualquer apoio", foi adotada na quarta-feira.

As autoridades locais curdas da Síria anunciaram ter esta quinta-feira entregue seis órfãos belgas de famílias de jihadistas do grupo Daesh a uma delegação do ministério belga dos Negócios Estrangeiros.

A entrega dos cinco menores decorreu em Ain Iça, norte da Síria, "a pedido do Governo belga", precisou na sua conta Twitter Abdelkarim Omar, um alto responsável dos Negócios Estrangeiros da administração curda.

Kamel Akef, outro responsável pela administração curda, precisou em declarações à agência noticiosa AFP que são seis os órfãos belgas entregues.

O ministro belga das Finanças e da cooperação para o desenvolvimento, Alexander De Croo, tinha referido previamente que o seu país iria repatriar desde campos sob controlo curdo na Síria seis crianças e adolescentes belgas de jihadistas, que são órfãos. E a primeira decisão do género tomada pelo Governo belga.

A decisão de repatriar as seis crianças, que não possuem "qualquer apoio", foi adotada na quarta-feira no decurso de um conselho de ministros restrito em Bruxelas, acrescentou De Croo à rádio pública flamenga.

"São crianças que nasceram no nosso país e que hoje já não têm pais", precisou, sublinhando que a França, a Holanda e a Noruega tomaram recentemente decisões semelhantes.

Quase três meses após a queda do último bastião do Daesh na Síria, existem ainda entre 50 e 60 menores belgas em três campos curdos da Síria (Al-Hol, Roj et Ain Issa), onde as condições de vida são muito precárias, segundo fontes concordantes.

A Bélgica é um dos países europeus que forneceu às fileiras jihadistas dos maiores contingentes de combatentes estrangeiros nos anos mais recentes.

As autoridades assinalaram mais de 400 partidas de adultos belgas desde 2012, dos quais 150 ainda eram considerados como "ativos no terreno" no final de 2018.

Na segunda-feira, 12 crianças jihadistas, incluindo seis órfãos, que também estavam retidos em campos de deslocados no norte da Síria, foram repatriados para Paris pelas autoridades francesas.

Lusa

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