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Petroleiro norueguês em chamas no Golfo de Omã, um navio japonês alvo de ataque

IRIB NEWS HANDOUT

Segundo incidente na região na passagem estratégica num momento de tensão acrescida entre Teerão e Washington.

O petroleiro "Front Altair", propriedade do grupo norueguês Frontline com bandeira das Ilhas Marshall, foi "atacado" quinta-feira de manhã entre os Emirados Árabes Unidos e o Irão, foram registadas três explosões a bordo, anunciaram as autoridades marítimas norueguesas. Não há registo de feridos.

Um outro ataque terá atingido um segundo navio, o japonês "Kokuka Courageous", já confirmou o armador.

"O "Front Altair" está em chamas e os meios de socorro já estão no local. Foram relatadas três explosões a bordo. A tripulação foi resgatada por um navio que passava ao largo e não há indicações de feridos", segundo a Direção Norueguesa dos Assuntos Marítimos, em comunicado.

marinetraffic.com/pt/ais/details/ships/shipid:4275315/mmsi:538007007/imo:9745902/vessel:FRONT_ALTAIR

A V Fronta Naval dos EUA com base no Bahrein anunciou por seu lado, em comunicado citado pela AFP, ter recebido apelos de socorro.

"As Forças Navais norte-americanas na região receberam dois pedidos de socorro distintos" de navios no Golfo de Omã, perto do Estreito de Ormuz.

Registo da posição do "Front Altair" das 11h15 de 13 de Junho de 2019

Registo da posição do "Front Altair" das 11h15 de 13 de Junho de 2019

marinetraffic.com

Armador japonês confirma ataque a cargueiro

Um segundo navio, o "Kokuka Courageous", foi alvo de disparos mas toda a equipa está a salvo depois de abandonar o navio e a sua carga de metanol está intacta, declarou o presidente do operador japonês Kokuka Sangyo,Yutaka Katada, aos jornalistas em Tóquio, confirmando as informações de um "incidente de segurança".

"A nossa tripulação efetuou manobras para tentar escapar aos ataques, mas três horas mais tarde [o navio] foi de novo atacado. Os elementos da tripulação consideraram perigoso ficar no navio e ultilizaram os botes de salvamento para escaparem".

"Kokuka Courageous"

"Kokuka Courageous"

MarineTraffic.com

Irão considera "suspeita" a coincidência entre ataques e visita de PM japonês

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros manifestou hoje desconfiança quanto à coincidência entre os ataques a petroleiros no Golfo de Omã e a visita do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe ao Irão.

"A palavra suspeita não é suficiente para descrever" esses "ataques" contra dois petroleiros "ligados ao Japão que ocorreram enquanto o primeiro-ministro [japonês] se reunia" com o líder supremo iraniano em Teerão, escreveu no Twitter o ministro Mohammad Javad Zarif.

O líder supremo iraniano, ayatollah Ali Khamanei, avisou que, apesar de Teerão não procurar armas nucleares, "os Estados Unidos nada poderiam fazer" para os deter se isso acontecesse.

Segundo a agência Associated Press, o comentário foi feito durante uma reunião com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que está de visita ao Irão, numa altura em que Teerão e Washington assistem a uma escalada de tensão política e militar.

Escalada de tensão entre Teerão e Washington

O caso ocorre numa altura em que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, está numa visita de dois dias ao Irão, numa altura em que Teerão e Washington assistem a uma escalada de tensão política e militar, tornando o tema um dos pontos centrais das conversas que tem desenvolvido com Hassan Rohani.

A visita de Abe é a primeira de um chefe de Governo japonês desde a revolução islâmica de 1979 e a primeira de um líder de um país do G7 desde que o Presidente norte-americano, Donald Trump, se retirou do acordo nuclear.

O Japão é um importante aliado dos Estados Unidos da América e tem um histórico de relações comerciais com o Irão muito profundo, o que torna este país um potencial mediador do conflito entre aqueles dois países.

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