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Mais dois migrantes retirados do navio de resgate Sea-Watch

Guglielmo Mangiapane

Um jovem de 19 anos e o irmão mais novo foram retirados por razões médicas.

Mais dois migrantes foram retirados do navio Sea-Watch por razões médicas, deixando os restantes 40 passageiros, salvos da Líbia há 16 dias, bloqueados no mar pela recusa de Itália em deixá-los desembarcar, anunciou hoje uma ONG.

Segundo a organização não-governamental (ONG) alemã que gere o navio Sea-Watch, um migrante de 19 anos, que estava com fortes dores, e o seu irmão mais novo foram levados durante a noite do navio Sea-Watch.

A capitã do Sea-Watch 3, Carola Rackete, desafiou por duas vezes as ordens diretas das autoridades portuárias, primeiro ao entrar nas águas italianas e segundo na tentativa de se aproximar do porto de Lampedusa, a ilha mais meridional da Itália.

Na quinta-feira, o comissário europeu para as Migrações pediu a Itália que permitisse a entrada de 42 migrantes a bordo do navio privado de resgate e que os deixe desembarcar na ilha de Lampedusa o mais rapidamente possível.

Dmitris Avramopoulos garantiu que vários Estados-membros da União Europeia estão prontos para ajudar, mas sublinhou que a ajuda só pode ser dada quando os migrantes estiverem em terra.

Até ao momento, não há qualquer sinal de que os migrantes a bordo do Sea-Watch 3, que a organização alemã assegurou estarem em condições inseguras, receberão permissão para desembarcar.

O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, tem recusado deixar migrantes desembarcarem no território e sublinhou que o Sea-Watch desafiou o país ao entrar em águas italianas, defendendo que a tripulação deve ser detida e o navio arrestado.

O barco da organização não-governamental (ONG) alemã, de bandeira holandesa, encontra-se a três milhas (cerca de cinco quilómetros) da costa, frente ao monumento conhecido como "Porta de Lampedusa, Porta da Europa", em memória dos migrantes mortos na viagem para o continente europeu, segundo mostram os meios de comunicação locais.

No interior da embarcação, encontram-se 40 dos migrantes resgatados a 12 de junho no Mediterrâneo (inicialmente eram 53 mas os restantes foram desembarcados por razões médicas), onde se encontram há duas semanas à espera de um porto seguro para desembarcar.

A Itália mantém uma política de portos fechados aos barcos das ONG, política defendida sobretudo pelo ministro da extrema-direita Matteo Salvini, que acusa as organizações de favorecerem a imigração ilegal.

Lusa

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