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ONU diz que devem ser aplicadas sanções mais duras contra exército de Myanmar

Apesar de a transição democrática ter sido anunciada em 2011, o exército continua a ser muito poderoso no cenário político birmanês.

Um relatório das Nações Unidas hoje apresentado defende sanções mais duras contra o exército de Myanmar (antiga Birmânia), que está a colocar a sua imensa fortuna a serviço das atrocidades cometidas contra os rohingya.


Os autores do documento apelam à comunidade internacional que rompa as relações com empresas ligadas às forças armadas birmanesas, que estão à frente de um "império comercial" e de longe o mais possante do país.


Isso vai permitir "reduzir as violações dos direitos humanos", disse o advogado indonésio Marzuki Darusman, chefe da missão internacional de investigação da ONU sobre a Birmânia, durante a apresentação do relatório em Jacarta.


Os militares birmaneses têm interesses em todos os setores da economia, desde o comércio de pedras preciosas a imóveis e turismo, através de dois conglomerados, inúmeras filiais e sociedades com outras empresas. Os militares também controlam os dois dos maiores bancos do país.


Nenhuma dessas empresas publica resultados financeiros completos, o que, de acordo com investigadores da ONU, permite que evitem toda a vigilância e responsabilidade.


Nas suas 111 páginas, o relatório da ONU também relata as transferências de dinheiro proveniente de dezenas empresas privadas em benefício dos militares em mais de 10 milhões de dólares (milhões de euros).


Esses fundos teriam sido usados pelo exército para financiar operações contra os rohingya e começar os grandes trabalhos para "apagar todos os vestígios da presença da minoria muçulmana na Birmânia", estabelecida no país há séculos.


"Os Governos em todo o mundo e empresas que de alguma forma têm laços com os militares não podem mais alegar ignorância", disse Paul Donowitz, diretor de campanha para a Birmânia da organização não-governamental (ONG) Watchdog Global Witness.
Segundo a ONU, pelo menos 15 empresas estrangeiras têm 'joint-ventures' com militares birmaneses, enquanto outras 44 mantêm relações comerciais com as companhias birmanesas.


Quando questionado, um porta-voz do exército birmanês não quis comentar o relatório.


A publicação do documento acontece um mês depois de os Estados Unidos proibirem as viagens do chefe do Exército birmanês, Min Aung Hlaing, e de três outros oficiais militares,ao seu país, a mais pesada sanção imposta por um poder ocidental desde a crise de Rohingya.


Apesar de a transição democrática ter sido anunciada em 2011, o exército continua a ser muito poderoso no cenário político birmanês, ocupando um quarto do Parlamento e três ministérios chave, incluindo o Ministério da Defesa.

Lusa