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Ex-diretor do FBI acusado de violar regras ao guardar notas de reuniões com Trump

Jonathan Ernst

Comey esteve na origem da nomeação do promotor especial Robert Mueller, que investigou um alegado conluio entre Trump e o Governo russo.

O ex-diretor do FBI James Comey violou as regras da polícia federal dos EUA, mantendo guardados em casa vários registos de conversas com o Presidente Donald Trump, segundo um relatório oficial esta quinta-feira divulgado.

James Comey, que foi demitido de diretor do FBI em maio de 2017, tendo sido desde então uma voz crítica do Presidente Republicano, não será processado por violar os procedimentos da agência federal, mas poderá sofrer sanções administrativas, de acordo com um comunicado do Departamento de Justiça.

James Comey é acusado de ter ficado com registo das sete reuniões que teve com Donald Trump, entre janeiro e abril de 2017, à revelia do que está instituído nas regras do FBI, num ato que o Departamento de Justiça considera ser "um exemplo perigoso".

A acusação é resultado de uma investigação do Departamento de Justiça, que tentou apurar se Comey tinha atuado de forma inapropriada, quando deu as notas a um confidente que mais tarde as passou ao jornal The New York Times.

Comey esteve ainda na origem da nomeação do promotor especial Robert Mueller - que durante dois anos investigou um alegado conluio entre a equipa de campanha de Trump e o Governo russo, nas eleições presidenciais de 2016 (o caso russo) - depois de o Presidente o ter demitido, após lhe pedir para abandonar essa investigação, de acordo com relatos da Imprensa.

"Comey violou as regras do FBI e os requerimentos enquanto funcionário do FBI, ao tomar essa decisão", concluiu o inquérito.James Comey defendeu-se dizendo que a divulgação das notas se destinou apenas a suscitar a nomeação de um procurador especial para investigar o caso russo.

Donald Trump acusou repetidamente James Comey de ser um "mentiroso" e de difundir informação falsa sobre as alegadas pressões para abandonar a investigação ao caso russo, enquanto diretor do FBI.

O ex-diretor do FBI considerou-se libertado das regras da polícia federal e manteve na sua casa cópias das reuniões com o Presidente, compartilhando-as com advogados e permitindo que algumas delas passassem para a Imprensa, de acordo com um relatório do Ministério da Justiça.

As notas fornecidas não contêm, no entanto, nenhuma informação classificada, afirmou a autoridade independente encarregada de investigar possíveis abusos em entidades dependentes do Departamento de Justiça.

"Comey tinha outras opções legais à sua disposição para defender a nomeação de um procurador especial, que era o seu objetivo", escreve o inspetor do relatório, acusando-o de dar "um mau exemplo" a 35.000 funcionários da organização da polícia federal.

Apesar dessas críticas, James Comey usou as redes sociais para dizer que o inspetor "não encontrou evidências" de fuga de "informações classificadas".

"Não preciso de desculpas públicas por parte daqueles que me difamam, mas uma pequena mensagem a dizer 'desculpe por mentirmos sobre você', seria simpático", acrescentou Comey na rede social Twitter.

A nomeação de um promotor especial mereceu forte atenção mediática e levou o Presidente Trump a dizer que estava a ser vítima de uma "caça às bruxas", durante cerca de dois anos, dizendo sempre que estava inocente de qualquer ato de conluio com o Governo russo de Vladimir Putin.

Em abril, na divulgação do relatório sobre o caso russo, Robert Mueller explicou que não havia encontrado evidências de conluio entre Moscovo e a campanha de Trump, mas apontou vários casos de pressões presidenciais sobre a investigação.

Lusa

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