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Erdogan recebe Pence e Pompeo quinta-feira em Ancara

Djordje Kojadinovic

Em cima da mesa vai estar a ofensiva turca na Síria.

O Presidente da Turquia fez saber que reúne quinta-feira com o vice-presidente e o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, em Ancara, devido à ofensiva turca na Síria, horas depois de dizer que não iria receber os representantes norte-americanos.

"Está fora de discussão encontrar-me com outras pessoas além de Mike Pence [vice-presidente dos EUA] e Mike Pompeo [secretário de Estado]", disse Recep Tayyip Erdogan à comunicação social turca, numa nova declaração divulgada pelo diretor de comunicação da Presidência turca, Fahrettin Altun, através de um vídeo publicado na rede social Twitter.

"Planeia receber a delegação dos Estados Unidos liderada pelo vice-presidente amanhã [quinta-feira], tal como está confirmado nesta declaração à imprensa turca", escreveu o alto funcionário turco ao publicar o vídeo.

Horas antes, em declarações ao canal Sky News no final de uma reunião no Parlamento com os deputados do seu partido, Erdogan tinha afirmado que não iria reunir-se com Mike Pence e Mike Pompeo, esperados em Ancara para exigir a suspensão da ofensiva turca no norte da Síria e para tentar negociar um cessar-fogo.

"Não vou estar com eles", declarou Erdogan ao canal Sky News, acrescentando: "Eles encontrar-se-ão com os seus homólogos. Eu só falarei a (presidente norte-americano Donald) Trump, se ele vier".

Ainda no Twitter, e num aparente esclarecimento das notícias anteriormente divulgadas, Fahrettin Altun escreveu que o Presidente turco disse à Sky News que não ia receber a delegação norte-americana que chegou hoje à capital turca, Ancara.

Parte da delegação norte-americana, nomeadamente o conselheiro de segurança nacional, Robert O'Brien, e o enviado especial dos Estados Unidos para a Síria, James Jeffrey, chegou esta quarta-feira a Ancara.

Apesar do encontro previsto com Pence e Pompeo e da pressão ocidental para a suspensão da ofensiva turca no norte da Síria, Erdogan excluiu esta quarta-feira qualquer negociação com as forças curdas e exigiu que estas deponham as armas e se retirem da fronteira turca.

"Alguns dirigentes tentam realizar uma mediação. Nunca na história da República turca houve algo como sentar-se à mesma mesa com uma organização terrorista", declarou Erdogan esta quarta-feira de manhã num discurso perante o grupo parlamentar do seu partido no poder.

"Não procuramos um mediador, não precisamos dele", insistiu.

A Turquia lançou na semana passada uma ofensiva no nordeste da Síria contra a milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPG), aliada dos ocidentais no combate aos jihadistas do Daesh, mas considerada terrorista por Ancara.

O objetivo da operação é criar uma "zona de segurança" de 32 quilómetros de extensão ao longo da fronteira entre a Turquia e Síria para manter as YPG à distância e repatriar uma parte dos 3,6 milhões de refugiados sírios que atualmente vivem no território turco.

"A nossa proposta é a seguinte: imediatamente, hoje à noite, que todos os terroristas deponham as suas armas e equipamentos, destruam todas as suas fortificações e se retirem da zona de segurança que estabelecemos", declarou Erdogan.

A ofensiva turca surge após o anúncio do Presidente norte-americano, Donald Trump, de que as tropas dos Estados Unidos iam abandonar a zona em causa.

A ofensiva de Ancara abre uma nova frente na guerra da Síria que já causou mais de 370.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados desde que foi desencadeada em 2011.

Lusa