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Será que o ex-presidente da Renault-Nissan fugiu do Japão escondido nesta caixa?

Foto publicada The Wall Street Journal das caixas encontradas no interior de um jato privado que terá sido fretado pelo ex CEO do grupo Nissan-Renault, Carlos Ghosn, para fugir do Japão, no dia 29 de dezembro de 2019.

The Wall Street Journal

Adensa-se o mistério em torno da fuga de Carlos Ghosn do Japão. Suspeita-se que o CEO do grupo tenha furado a segurança do aeroporto Osaka, escondido numa destas caixas.

The Wall Street Journal

O Wall Street Journal publicou duas fotos das caixas encontradas num jato privado que chegou ao aeroporto de Atatürk, em Istambul e que já foram alvo das buscas da polícia turca.

As marcas brancas que se vêm nas imagens serão do pó usado pela polícia para identificar impressões digitais nas caixas encontradas no fundo do jato privado onde Carlos Ghosn terá fugido do Japão para Istambul, no final do ano passado.

Uma das caixas continua uma coluna de som enquanto outra estaria vazia e com buracos no fundo, o que terá levado a polícia a crer que foi desta forma que o ex-presidente da Renault-Nissan furou a segurança no aeroporto de Osaka, ao esconder-se no interior da caixa até o avião levantar voo do Japão.

O jornal norte-americano cita fonte próxima das autoridades turcas responsáveis pela investigação que suspeitam que Ghosn terá mudado para outro jato privado em Atatürk e voado para a capital do Líbano, Beirute, onde deu uma conferência de imprensa na última quarta-feira.

Ainda segundo o The Wall Street Journal, as autoridades turcas agiram perante uma denúncia do operador turco MNG Jet Havacilik AS, que terá levantado a suspeita de que os seus jatos poderiam ter sido usados ilegalmente.

As caixas foram encontradas na parte de trás do jato privado que viajou do Japão.

Na Turquia as autoridades já acusaram 5 pessoas- um gerente da empresa e quatro pilotos- do crime de auxílio à emigração ilegal.

A denúncia da empresa MNG Jet lança suspeitas sobre todos os que possam ter contribuído para práticas ilegais e pode levar as autoridades turcas a analisarem o papel de Ghosn no aluguer do jato privado para fugir às acusações de desvio de fundos e má gestão no Japão.

O antigo gestor do grupo automóvel nasceu no Brasil, mas tem nacionalidade francesa, brasileira e libanesa.

Maya Alleruzzo

"Fui eu quem organizou a minha saída [do Japão]. A minha família não teve nenhum papel."

Ainda recentemente o ex-presidente da Renault-Nissan negou o envolvimento da família na fuga do Japão.

Os procuradores japoneses ordenaram a prisão de Carlos Ghosn no final de 2018, mas o caso já estrapulou as leis nipónicas.

O Líbano e o Japão não partilham tratados de extradição e o mandado da Interpol, que sugere às autoridades que localizem e detenham provisoriamente o fugitivo, não é vinculativo.

Beirute já informou que Ghosn entrou no Líbano usando um passaporte válido.

Paralelamente, o antigo presidente da Renault/Nissan pode vir a enfrentar um novo processo judicial em Beirute relacionado com uma visita que efetuou a Israel em 2008.

Dois advogados libaneses já submeteram o processo à Procuradoria de Beirute argumentando que a viagem violou as leis locais porque o Líbano está tecnicamente em guerra contra Israel e as deslocações ao país são proibidas.

Na conferência de imprensa de quarta-feira, Carlos Ghosn pediu desculpas ao Estado libanês, afirmando que nunca quis ofender "ninguém" quando se deslocou a Israel com documentos franceses onde apresentou um projeto de veículos elétricos da Renault/Nissan.