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Governo da Guiné-Bissau diz que o país está sob um golpe de Estado

Governo da Guiné-Bissau diz que o país está sob um golpe de Estado

Presidenciais realizaram-se em dezembro de 2019.

O Governo da Guiné-Bissau diz que o país está sob um golpe de Estado. O autoproclamado Presidente, que tomou posse quinta-feira, demitiu o primeiro-ministro e já nomeou outro.

O autoproclamado Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, demitiu Aristides Gomes do cargo de primeiro-ministro e nomeado Nuno Nabian para o substituir, num decreto presidencial divulgado à imprensa.

Nuno Nabian é o líder da Assembleia do Povo Unido - Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), que fazia parte da coligação do Governo, mas que apoiou Sissoco Embaló na segunda volta das presidenciais.

A APU-PDGB elegeu cinco deputados para o parlamento nas legislativas de março, mas apesar de Nuno Nabian ter abandonado a coligação do Governo de Aristides Gomes, três deputados continuam a apoiar aquele Executivo.

Nabian era primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional Popular e foi nessa qualidade que indigitou simbolicamente Sissoco Embaló como Presidente na quinta-feira, numa cerimónia realizada num hotel da capital guineense, qualificada como "golpe de Estado" pelo Governo guineense.

Depois desta tomada de posse simbólica, o Presidente cessante, José Mário Vaz, transferiu os poderes para Sissoco Embaló e abandonou o Palácio Presidencial.

Umaro Sissoco Embaló justificou a demissão de Aristides Gomes com a sua "atuação grave e inapropriada" por convocar o corpo diplomático presente no país, induzindo-o a não comparecer na tomada de posse e a "apelar à guerra e sublevação em caso da investidura do chefe de Estado, que considera um golpe de Estado".

Após estas decisões, registaram-se movimentações militares, nomeadamente na rádio e na televisão públicas, de onde os funcionários foram retirados e cujas emissões foram suspensas. Verifica-se também a presença de militares em algumas instituições do Estado como o Palácio do Governo, o Supremo Tribunal de Justiça e alguns ministérios. A embaixada de Portugal em Bissau aconselhou hoje os portugueses que vivem na Guiné-Bissau a restringirem a circulação.