A Turquia afirmou hoje ter destruído uma "instalação de armas químicas" do regime de Damasco no nordeste da Síria, em resposta aos ataques aéreos que, na quinta-feira, mataram mais de 30 militares turcos.
Na noite de sexta-feira para sábado, as forças turcas destruíram "uma instalação de armas químicas situada a 13 quilómetros ao sul de Alepo, juntamente com um grande número de outros alvos do regime", disse um alto funcionário turco a jornalistas sob condição de anonimato, sem dar mais detalhes.
Entretanto, o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), uma organização não-governamental com sede em Londres, disse à Agência France-Presse, que Ancara havia atingido o aeroporto militar de Kweires, localizado a leste de Alepo, onde, segundo disse, não há armas químicas armazenadas.
O regime de Damasco tem sido repetidamente acusado de utilizar armas químicas desde o início do conflito na Síria, em 2011, alegações sempre negadas.
Os novos ataques turcos seguiram-se à morte de pelo menos 34 soldados turcos em bombardeios atribuídos por Ancara ao regime do Presidente Bashar al-Assad na região de Idlib, no noroeste da Síria, na quinta-feira.
Como retaliação, Ancara alega ter bombardeado muitos dos alvos do regime.
Esta escalada entre Ancara e Damasco ter agravado igualmente as relações entre a Turquia e a Rússia, um dos principais apoiantes do regime sírio.
Na sexta-feira, o Presidente Recep Tayyip Erdogan e seu homólogo russo Vladimir Putin tiveram uma conversa telefónica durante a qual expressaram “preocupação" mútua sobre a situação.
Os dois líderes poderão encontra-se em Moscovo na próxima semana, de acordo com o Kremlin.
Nas últimas semanas, o Presidente Erdogan tem apelado repetidamente às forças sírias para que se retirem de certas áreas em Idlib até ao final de fevereiro, prazo que expira à meia-noite de sábado.
O regime sírio, apoiado por Moscovo, tem conduzido uma ofensiva desde dezembro para retomar a província de Idlib, o último reduto rebelde e "jihadista" no país.
O conflito na Síria já causou mais de 380.000 mortes desde 2011 e milhares de refugiados e deslocados.

