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Joe Biden admite pedir proteção aos serviços secretos

Mike Blake

Joe Biden é o candidato mais bem posicionado para vir a ser escolhido como o adversário democrata de Trump nas presidenciais de novembro.

O ex-vice-Presidente e candidato nas primárias democratas dos EUA Joe Biden admitiu hoje pedir proteção aos serviços secretos após manifestantes terem invadido o palco durante duas das suas ações de campanha.

"Bem, acho que isso deve ser considerado", admitiu hoje Biden, numa entrevista televisiva, referindo-se a um eventual pedido de proteção dos serviços secretos dos Estados Unidos, reservada apenas aos candidatos oficiais dos partidos (e não na fase de eleições primárias).

Os receios de Biden aumentaram esta semana, quando dois ativistas de defesa dos animais subiram para o palco de um comício em Los Angeles, tendo sido travados pela mulher do candidato, Jill, e por uma assessora, que se interpuseram no caminho em direção ao marido.

"Eu não estava com medo de mim. Estava preocupado com Jill", explicou Joe Biden, lembrando que uma situação idêntica já tinha ocorrido num comício em New Hampshire, onde também partilhou o palco com a mulher.

Por regra, os serviços secretos protegem o Presidente e o vice-Presidente, bem como as suas famílias e outros altos funcionários do Governo.

Após o assassínio do Presidente John F. Kennedy, em 1963, os serviços secretos passaram a poder proteger os candidatos à Casa Branca durante as campanhas, mas até agora nunca o fizeram durante a fase de eleições primárias, quando ainda não há uma escolha oficial de candidato.

Ao fim de 18 eleições primárias, Joe Biden tornou-se o candidato mais bem posicionado para vir a ser escolhido como o adversário democrata do Presidente republicano Donald Trump, nas presidenciais de novembro próximo, aumentando o interesse público sobre as suas ações de campanha.

Alguns analistas, citados hoje nos media norte-americanos, dizem que, ao ponderar pedir ajuda aos serviços secretos, Biden pode querer estar a tirar proveito de uma situação de risco para se promover como "candidato oficial" do Partido Democrata, mas os assessores do ex-vice-Presidente garantem que se trata apenas de uma medida de segurança.

Joe Biden conseguiu já eleger cerca de 600 delegados, contra pouco mais de 500 de Bernie Sanders, que está na segunda posição nas eleições primárias e quando estão apurados menos de metade daqueles que na convenção do Partido Democrata escolherão o adversário de Donald Trump.

Depois de Sanders ter vencido as três primeiras primárias, Joe Biden recuperou terreno na Carolina do Sul e teve um resultado surpreendente na "superterça-feira", esta semana, quando se realizaram eleições em 14 estados e um território.

Neste momento, depois de várias desistências, restam apenas quatro candidatos no terreno: Joe Biden, Bernie Sanders, Elizabeth Warren e Tulsi Gabbard.

Joe Biden beneficiou diretamente de algumas das mais recentes desistências, como as de Pete Buttigieg e Amy Klobuchar, que declararam apoio ao ex-vice-Presidente, e indiretamente da do bilionário Mike Bloomberg, que disputava idêntico eleitorado.