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Agências governamentais informadas sobre navio com toneladas de nitrato de amónio em Beirute

TONY VRAILAS / MARINETRAFFIC.COM

As toneladas de nitrato de amónio estarão na origem das explosões de terça-feira na capital libanesa.

Documentos recém-divulgados sugerem que várias agências governamentais no Líbano foram informadas que o nitrato de amónio estava num armazém no porto de Beirute, incluindo o Ministério da Justiça.

Esta informação junta-se às várias evidências, incluindo e-mails e documentos de tribunais públicos, de que as autoridades foram notificadas sobre um carregamento de milhares de toneladas de nitrato de amónio - descrito por um analista russo como uma "bomba flutuante" - que está relacionado com as explosões de terça-feira em Beirute, na capital do Líbano.

Após a explosão, o primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab, disse que era "inaceitável" que um carregamento de cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amónio tenha sido armazenado durante seis anos.

No entanto, documentos obtidos pela CNN mostram que membros do Governo e do sistema judiciário libaneses foram informados sobre a grande quantidade de material perigoso armazenada no porto - e podem não ter conseguido protegê-las.

Por que ficaram armazenadas as toneladas de nitrato de amónio em Beirute?

Em 2013, um navio de propriedade russa, MV Rhosus, foi detido em Beirute com uma carga de 2.750 toneladas métricas de nitrato de amónio, que é usado na agricultura industrial e mineração.

A carga teria como destino Moçambique, mas o navio parou em Beirute devido a dificuldades financeiras, uma vez que não havia verba para pagar as taxas cobradas pelo porto, o navio Rhossus acabou por ficar retido em Beirute.

A Baroudi & Associates, que representou a tripulação do navio russo, publicou um comunicado na quarta-feira a esclarecer que os tripulantes enviaram cartas em julho de 2014 para funcionários do porto de Beirute e do Ministério dos Transportes "a alertar sobre os perigos dos materiais transportados no navio."

Pelo menos 154 pessoas morreram devido às explosões que na terça-feira destruíram parte de Beirute, anunciou hoje o ministro da Saúde libanês, Hamad Hassan, adiantando que 120 dos feridos estão em estado crítico.

Hassan indicou, ao receber uma delegação médica argelina que chegou ao Líbano para ajudar nas tarefas de socorro e resgate, que cerca de 20% dos 5.000 feridos nas explosões tiveram de ser hospitalizados.

Pelo menos 120 estão em estado crítico, adiantou.

O número de desaparecidos devido às explosões na capital do Líbano, que deixaram até 300.000 pessoas desalojadas, foi estimado em uma centena há dois dias.

As autoridades continuam com os trabalhos de resgate nas zonas mais afetadas pela explosão, nos arredores do porto, procurando sobreviventes.


Na noite passada, foram registados incidentes nos arredores do Parlamento libanês, onde um pequeno grupo de pessoas tentou passar as cercas que impedem o acesso, acabando por entrar em confrontos com a polícia.

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