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Sete polícias envolvidos na morte de homem negro em Nova Iorque foram suspensos

Ted Shaffrey

Caso aconteceu em março.

Os sete polícias envolvidos na morte de Daniel Prude foram agora suspensos, mais de cinco meses depois dos acontecimentos.

A presidente da câmara de Rochester, local onde morreu Prude, começou por dizer, em conferência de imprensa, que o "racismo estrutural e institucional levou à morte de Daniel Prude".

"Daniel Prude foi reprovado pelo nosso departamento da polícia, pelo nosso sistema de saúde mental, pela nossa sociedade e foi também reprovado por mim", disse Lovely Warren, presidente da câmara, acrescentando que o chefe da polícia, até ao início de agosto nunca a tinha informado do que tinha acontecido.

Adrian Kraus

A presidente da Câmara de Rochester disse ainda que alguns dos agentes que foram suspensos aparecem nas imagens e os "outros tinham o dever de impedir o que estava a acontecer".

De acordo com a BBC, a autarca disse na quinta-feira que foi "enganada" pelo chefe da polícia local que terá afirmado que Daniel Prude morreu na sequência de uma sobredose de drogas.

Lovely Warren explica que a versão da polícia é "totalmente diferente" da que viu no vídeo. A presidente da câmara disse estar "profundamente, pessoal e profissionalmente dececionada" com o chefe Singletary.

O caso veio a público esta quarta-feira, depois da família da vítima divulgar os vídeos das câmaras dos uniformes dos polícias, que mostram a forma como morreu Daniel Prude.

Em 23 de março, a polícia de Rochester, onde 40% da população é negra, foi chamada a intervir depois de o irmão da vítima ter pedido ajuda, relatando na altura que Daniel Prude apresentava sinais de distúrbios psicológicos.

Os vídeos mostram Prude, que tinha retirado as suas roupas, a obedecer quando a polícia lhe ordenou para se sentar no chão e pôr as mãos atrás das costas. Depois, colocaram-lhe um capuz especial na cabeça, usado para evitar que os detidos cuspam e mordam, designados 'spit hood' em Inglês.

Prude pediu que lhe retirassem o capuz. E foi aí que um agente lhe atirou a cabeça para o chão e outro a manteve forçada contra o chão, com as mãos, enquanto um terceiro lhe colocava um joelho nas costas. Os agentes riram-se várias vezes durante a detenção, de acordo com as imagens.

Prude deixou de se mexer e falar. Nas imagens veem-se médicos a assisti-lo antes de ser colocado numa ambulância.

AUTÓPSIA REVELA MORTE POR "ASFIXIA CONSECUTIVA"

Daniel Prude entrou em coma e morreu uma semana depois ter sido hospitalizado.

O instituto de medicina legal concluiu, após uma autópsia, que a morte de Prude foi um homicídio, relacionado com uma "asfixia consecutiva por constrangimento físico".

"Trataram o meu irmão como um animal", afirmou Joe Prude (o irmão de Daniel Prude que pediu ajuda no dia da detenção), numa conferência de imprensa realizada na quarta-feira.

A ordem de suspensão ocorre um dia depois de os advogados da família de Prude terem divulgado as imagens captadas pela câmara de vídeo da própria polícia e que mostram os agentes a taparem a cabeça do homem enquanto o mantêm vergado no chão. A suspensão é a primeira ação disciplinar que aconetece depois da morte de Daniel Prude.

Adrian Kraus

O homem de 41 anos morreu dois meses antes de George Floyd, a 30 de março. A Procuradoria-Geral de Nova Iorque assumiu a investigação em abril e o chefe da polícia, que não faz parte dos elementos que foram agora suspensos, nega que o departamento tenha tentado manter os detalhes do casos ocultos.

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, pediu que o caso fosse concluído "o mais rapidamente possível".

O caso da morte de Daniel Prude junta-se a outros casos semelhantes ocorridos nos últimos meses e que geraram protestos nos Estados Unidos contra a violência policial de caráter racista.