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Polícia investiga alegada transferência de fundos do Vaticano durante julgamento de George Pell

Remo Casilli

Cardeal australiano foi condenado e depois absolvido por abuso sexual de menores.

A polícia australiana revelou esta quarta-feira que está a investigar uma alegada transferência de fundos do Vaticano para a Austrália, durante o processo contra George Pell, condenado por abuso sexual de menores e depois absolvido.

As autoridades confirmaram ter recebido informações do órgão que vigia crimes financeiros na Austrália e estão, neste momento, a analisar os dados mais relevantes.

Os media italianos também já tinham noticiado que o cardeal italiano Angelo Becciu terá enviado 700 mil euros para subornar a testemunha que ajudou a condenar o cardeal George Pell por abuso sexual de menores, com o obejtivo de "tramar" o australiano.

Pell foi condenado em março de 2019 por cinco acusações de abuso sexual, incluindo uma de penetração oral, cometida contra duas crianças no coro da Catedral de São Patrício em 1996 e 1997, quando era arcebispo de Melbourne. Em abril, o Supremo Tribunal da Austrália anulou a sentença de seis anos de prisão imposta ao cardeal George Pell.

O caso de pedofilia contra o ex-responsável das Finanças do Vaticano tem como base o testemunho de duas vítimas que o denunciaram em 2014. Um dos acusadores morreu após o início do processo, vítima de consumo excessivo de estupefacientes.

Segundo a defesa, os dois juízes anteriores que tinham condenado o cardeal cometeram um erro ao exigir que Pell provasse a sua inocência sobre os crimes que lhe foram atribuídos.

O Supremo Tribunal também considerou que o júri "deveria ter duvidado da culpa do réu em relação a cada um dos crimes pelos quais foi condenado".