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Polícia russa diz que doença de Navalny se deveu a "pancreatite"

Dmitri Lovetsky

O diretor do serviço de informações externas russo sustenta que a morte de Navalny o tornaria uma "vítima sacrificial" útil aos ocidentais.

A polícia russa afirmou esta sexta-feira que o principal opositor do Kremlin, Alexei Navalny, tratado na Alemanha após ter ficado gravemente doente na Sibéria no final de agosto, sofria de uma "pancreatite", rejeitando uma vez mais um envenenamento.

"O diagnóstico final foi feito pelos médicos tendo em consideração diversos estudos químicos e toxicológicos: desregulação do metabolismo glicídico; pancreatite crónica com alteração" de certas funções, declarou o serviço de imprensa da polícia russa na Sibéria.

"O diagnóstico de um envenenamento (...) não foi confirmado", sublinhou num comunicado.

No final de agosto o opositor russo sentiu-se mal e desmaiou durante um voo na Sibéria. Após dois dias hospitalizado, Navalny foi autorizado a ser tratado na Alemanha.

Segundo três laboratórios europeus, cujas conclusões foram confirmadas pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), Alexei Navalny foi envenenado por um agente neurotóxico do grupo Novichok, substância criada durante a época soviética.

VESTÍGIOS DE NOVICHOK ENCONTRADOS NUMA GARRAFA VAZIA NO QUARTO DE HOTEL

A equipa de Navalny revelou que foram encontrados vestígios do agente neurotóxico numa garrafa de água vazia encontrada no quarto de hotel onde esteve hospedado na cidade siberiana de Omsk.

A descoberta sugere que o envenenamento terá acontecido no quarto de hotel e não no aeroporto, como até agora era apontado.

Navalny acusa Putin de estar por trás do seu envenenamento

O opositor, que continua em convalescença na Alemanha, acusou diretamente o presidente russo, Vladimir Putin, de estar por trás do seu envenenamento, o que é refutado por Moscovo.

Conforme as versões, as autoridades russas rejeitam qualquer ideia de envenenamento ou acusam os serviços secretos ocidentais, pessoas próximas do opositor ou ele próprio da autoria.

O diretor do serviço de informações externas russo (SVR), Serguei Narychkine, sustentou esta sexta-feira que a morte de Navalny o tornaria uma "vítima sacrificial" útil aos ocidentais para "relançar o movimento de protesto na Rússia".

"É muito triste ver o que aconteceu às informações russas", reagiu Navalny na rede social Facebook, qualificando Narychkine de "imbecil".

Na rede social Twitter, comentou: "É engraçado que apareçam no mesmo dia, Narychkine a dizer que fui envenenado pelos países da NATO e a história do Ministério do Interior afirmando que não houve envenenamento".

"Aparentemente, os países da NATO convenceram-me a fazer uma dieta mortal", ironizou, numa referência a uma das versões avançadas por Moscovo, de que os problemas de saúde do opositor estavam ligados a uma alimentação desequilibrada.

O alegado envenenamento de Navalny prejudicou ainda mais as relações entre a Rússia e o Ocidente e seis altos funcionários russos foram sancionados pela União Europeia por ligações ao caso.

"Não foi doloroso, mas foi devastadora a sensação de que ia morrer"

Poucos dias depois de ter sido proposto para o prémio Nobel da Paz, Alexei Navalny deu uma primeira entrevista em vídeo.

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