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Como uma bactéria terrestre pode ajudar na exploração mineira da Lua e de Marte

ESA

Investigadores testaram a eficácia de várias bactérias nas diferentes condições gravíticas.

A exploração mineira na Lua e em Marte pode estar prestes a contar com um novo recurso: bactérias. A prática de biomineração já é comum na Terra, mas as condições adversas do Espaço levaram os investigadores a testar se o mesmo acontecia nas condições gravíticas dos dois planetas.

Para isso, um grupo de cientistas britânicos passou 10 anos a desenvolver reatores de biomineração do tamanho de pequenas caixas de fósforos. O objetivo era realizar uma experiência para identificar quais as bactérias que conseguiriam isolar minerais preciosos das rochas, quando sujeitas a diferentes condições. Os reatores foram levados para a Estação Espacial Internacional em julho de 2019, a bordo de um foguete da SpaceX.

Durante três semanas, três espécies de bactérias foram colocadas junto a rochas de basalto para extrair os elementos raros que estas contêm. Das três, apenas uma bactéria – a sphingomonas desiccabilis – demonstrou resultados nas três condições gravíticas – a gravidade terrestre, a microgravidade (mais conhecida como gravidade zero) e a gravidade do planeta Marte. Os resultados do teste foram publicados esta terça-feira na revista Nature Communications.

“Os nossos resultados sugerem que a construção de minas robóticas dirigidas por humanos na região do Oceanus Procellarum da Lua, que tem rochas com concentrações enriquecidas de elementos raros da Terra, pode ser uma direção frutífera do desenvolvimento científico e económico humano além da Terra”, explica Charles Cockell, o investigador que liderou o projeto e que é também professor de astrobiologia na Universidade de Edimburgo, na Escócia, à CNN.

Cockell considera ser pouco provável que o transporte dos elementos dos planetas para a Terra seja rentável, mas acredita que a utilização destes recursos pode tornar a presença humana no espaço autossuficiente.

A exploração de recursos espaciais desperta interesse em vários países. A NASA – a agência espacial norte-americana – está já à procura de companhias que tenham interesse em recolher e comercializar poeiras e rochas da superfície lunar.

Também a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla inglesa) tem intenções de começar a exploração mineira em busca de água e oxigénio na Lua a partir de 2025. Enquanto isso, a China tem previsto o envio de uma sonda que irá recolher amostras solares do satélite natural para a Terra.

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