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Descoberto crânio com dois milhões de anos. É de uma espécie "prima" do Homem

Investigadores dizem que a descoberta traz novas pistas às investigações sobre a evolução humana.

Um crânio com dois milhões de anos foi encontrado na África do Sul, por investigadores australianos da Universidade de La Trobe, em Melbourne. Pertence a um Paranthropus robustus, do sexo masculino, uma espécie "prima" dos atuais humanos.

Investigadores no local da descoberta.

Investigadores no local da descoberta.

Foi descoberto, em 2018, a poucos metros de um local onde um crânio de uma criança Homo erectus da mesma época tinha sido descoberto três anos antes. Estava no complexo arqueológico de Drimolen, a norte de Joanesburgo.

Nos últimos dois anos, os arqueólogos estiveram a analisá-lo ao pormenor. Concluiram agora que pertence à espécie Paranthropus robustus, que viveu na mesma época que o Homo erectus, um dos antecessores do Homo sapiens, o Homem atual. As descobertas foram publicadas esta segunda-feira na revista científica Nature, Ecology and Evolution.

"A maior parte do registo fóssil é apenas um único dente aqui e ali. Por isso, descobrir algo assim é muito raro. Tivemos muita sorte", disse a investigadora Angeline Leece em entrevista à BBC.

Os investigadores dizem que o Paranthropus robustus tinha dentes grandes e um cérebro pequeno, ao contrário do Homo erectus, que tinha um cérebro grande e dentes de pequenas dimensões.

O Paranthropus robustus deverá ter morrido mais cedo devido a esta fisionomia e às mudanças climáticas que resultaram na diminuição dos alimentos disponíveis. Pelas grandes dimensões do maxiliar, com a mastigação e a mordida dificultadas, os cientistas acreditam que a espécie não conseguiu adaptar-se para sobreviver à base de plantas e carnes.

Os cientistas descreveram a descoberta como emocionante e consideram que vai ajudar nas investigações sobre a evolução humana com novas pistas.

"Apesar de pertencermos à linhagem que sobreviveu, os fósseis surgerem que há dois milhões de anos o Paranthropus robustus era mais comum do que o Homo erectus", acrescentou um dos cientistas.

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  • Não estou de acordo

    Opinião

    Não estou de acordo com métodos medievais para enfrentar uma pandemia. Se os vírus evoluíram, a organização da sociedade também deveria ter evoluído o suficiente para os combater de outra forma. O recolher obrigatório é próprio dos tempos obscuros e das sociedades não democráticas. Proibir as pessoas de circular na rua asfixia a economia e não elimina a pandemia.

    José Gomes Ferreira