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As diferenças na resposta policial aos protestos do Black Lives Matter e dos apoiantes de Trump

John Minchillo

“Não se enganem, se os manifestantes fossem negros, teríamos sido atingidos com gás lacrimogéneo, espancados e talvez baleados."

A invasão do Capitólio norte-americano na quarta-feira gerou questões sobre falhas na segurança e comparações da atuação policial quando, no ano passado, ativistas do movimento ‘Black Lives Matter’ se manifestaram em várias cidades.

A morte do afro-americano George Floyd em maio de 2020 despoletou protestos a nível nacional nos Estados Unidos. Em muitas cidades, inclusivamente na capital, Washington D.C., a polícia respondeu com gás lacrimogéneo, uso excessivo de força e detenções.

Contudo, a resposta das autoridades norte-americanas aos protestos de quarta-feira, que culminaram na invasão do Capitólio, está a receber críticas por ter sido diferente. O movimento ‘Black Lives Matter’, que caracterizou o acontecimento como um “golpe de estado”, critica a “hipocrisia” da polícia.

“Quando os negros protestam em defesa da sua vida, somos habitualmente confrontados por militares da Guarda Nacional ou polícia equipada com armas automáticas, escudos, gás lacrimogéneo e capacetes”, disse o grupo em comunidado.

“Não se enganem, se os manifestantes fossem negros, teríamos sido atingidos com gás lacrimogéneo, espancados e talvez baleados."

As diferenças

Em junho do ano passado, militares da Guarda Nacional dos Estados Unidos, armados e vestidos com uniformes de combate tático, ocuparam os degraus do Memorial Lincoln, em Washington D.C., durante uma manifestação pacífica contra a violência policial.

Martha Raddatz/Str / Latin Ameri

Segundo a CNN, nesta quarta-feira, os apoiantes de Donald Trump já tinham invadido o Capitólio quando a Guarda Nacional foi ativada. Em imagens entretanto divulgadas, é possível ver que a polícia fez uso de spray de pimenta numa tentativa de controlar os ânimos. Gás lacrimogéneo também foi lançado, mas ainda não é claro se pelos manifestantes ou pela polícia.

No ano passado, a polícia norte-americana lançou gás lacrimogéneo e disparou balas de borracha contra manifestantes junto à Casa Branca, numa tentativa de dispersar a multidão, dado que Donald Trump ia visitar a Igreja Episcopal de São João, a poucos metros da residência.

Na quarta-feira, os apoiantes de Trump empurraram barreiras de metal e invadiram o edifício do Capitólio dos Estados Unidos, por onde andaram durante várias horas, informa a CNN.

Em junho de 2020, um protesto em Washington D.C. contra a violência policial resultou em 88 detenções. Por comparação, 52 pessoas foram detidas na quarta-feira após a Invasão do Capitólio.