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Myanmar: grupo rebelde abate helicóptero do exército birmanês

O acontecimento foi registado num vídeo em que é possível ver uma nuvem de fumo negro a dirigir-se para o chão.

O Exército de Independência de Kachin (KIA, na sigla em inglês), um grupo rebelde que se opõe à junta militar em Myanmar (antiga Birmânia), abateu hoje um helicóptero do exército birmanês no norte do país, anunciou um porta-voz rebelde.

O acontecimento foi registado num vídeo em que é possível ver uma nuvem de fumo negro a dirigir-se para o chão, após se ouvir uma série de alegados disparos enquanto um helicóptero sobrevoa a área, escreve a agência EFE.

O coronel Naw Bu da KIA confirmou ao jornal Mizzima que um grupo de caças abateu um avião da Tatmadaw (exército birmanês) no município de Momauk, a cerca de 30 quilómetros da fronteira com a China.

De acordo com o porta-voz, a KIA estava a defender-se da ofensiva do exército, apoiada por ataques aéreos que deixaram baixas em ambos os lados.

O abate do helicóptero acontece um dia após nova repressão de manifestantes no centro do país, onde as forças policiais mataram pelo menos cinco civis, segundo a Associação de Assistência aos Presos Políticos (AAPP).

A AAPP conta quase 770 pessoas mortas desde o golpe militar.

Desde o golpe de 1 de fevereiro, as hostilidades intensificaram-se entre o exército e vários grupos rebeldes.

No final de março, o KIA conseguiu confiscar uma base do exército birmanês perto da fronteira com a China, que tinha sido mantida pelas forças da junta militar desde 1987.

As autoridades lançaram, como resposta, um ataque terrestre e aéreo, no qual dezenas de soldados perderam a vida, para recuperarem a posição, segundo os rebeldes.

De acordo com dados das Nações Unidas, os combates no estado de Kachin e noutras regiões do país obrigaram mais de 56.800 pessoas a fugir de casa e a refugiarem-se na selva.

Grupos rebeldes de diferentes minorias étnicas, que em conjunto representam mais de 30% dos 54 milhões de habitantes do país, lutam há décadas contra o governo birmanês com exigências de independência ou de maior autonomia.

Os birmaneses continuam os protestos contra o Governo militar em várias cidades do país, onde manifestam o seu apoio ao governo alternativo.

Mais de 3.500 pessoas foram detidas, incluindo dezenas de jornalistas.

Os meios de comunicação independentes estão a sofrer uma forte campanha de censura, ao verem as suas licenças profissionais retiradas e terem as ligações à Internet perturbadas para impedir os manifestantes de se organizarem e o público de obtere informações.

As embaixadas dos Estados Unidos, da União Europeia, Austrália, Reino Unido, França e Alemanha emitiram uma declaração hoje, data que assinala o dia mundial da liberdade de imprensa, a dizer que os jornalistas são um "alvo de repressão" e ordenaram a "libertação imediata de todos os trabalhadores dos meios de comunicação social".

O exército birmanês justifica o golpe militar com uma alegada fraude nas eleições de novembro passado, em que o partido de Aung San Suu Kyi triunfou de forma esmagadora, como o fez em 2015, e que foram consideradas legítimas por observadores internacionais.