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Mais de 900 mortes em ações policiais no Rio de Janeiro após Supremo limitar operações

Pilar Olivares

Supremo brasileiro restringiu as operações em favelas durante a pandemia.

Pelo menos 944 pessoas morreram em ações policiais no Rio de Janeiro desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro restringiu as operações em favelas durante a pandemia de covid-19, segundo um levantamento divulgado esta sexta-feira.

Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo portal de notícias G1, com base em informações do Instituto de Segurança Pública (ISP), e englobam todas as mortes cometidas por agentes policiais, seja em operações ou não, em todo o território do Estado do Rio de Janeiro

Em causa está uma decisão do STF, ditada pelo juiz Edson Fachin em 05 de junho de 2020, que apenas permitia operações policiais em casos "absolutamente excecionais", após alegados abusos cometidos por polícias em favelas durante a pandemia.

As operações policiais vêm sendo duramente criticadas por se realizarem num momento em que os moradores permanecem mais tempo nas favelas, devido ao isolamento social recomendado pelas autoridades sanitárias face à covid-19, ficando mais vulneráveis aos confrontos entre polícia e gangues.

Apesar de as mortes às mãos da polícia terem começado a diminuir a partir da decisão do STF, os números voltaram a subir a partir de outubro do ano passado, segundo o G1.

No primeiro trimestre de 2021, o número de mortos por agentes policiais foi mesmo superior ao registado no mesmo período do ano passado: 151 face aos 145 de 2020.

De acordo com o sociólogo Daniel Hirata, da Universidade Federal Fluminense (UFF), há uma "violação sistemática" da determinação do Supremo.

Os 944 mortos contabilizados pelo ISP não englobam ainda os números de abril, sendo que o total pode ser muito superior.

De fora dessa contagem ficaram também os 25 mortos registados na quinta-feira, naquela que é considerada a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro.