Mundo

Bielorrússia. Lukashenko anuncia desmantelamento de "células terroristas" com ligações ao Ocidente

Handout .

Segundo o chefe de Estado bielorrusso, o objetivo das células "era derrubar o regime pela violência".

O Presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, anunciou esta sexta-feira o desmantelamento no território bielorrusso de "células terroristas adormecidas" que, segundo acusou o governante, tinham ligações ao Ocidente e preparavam um golpe de Estado.

"Células terroristas adormecidas foram hoje desmanteladas", afirmou Alexander Lukashenko, citado pelo seu gabinete de comunicação.

Segundo o chefe de Estado bielorrusso, o objetivo das células "era derrubar o regime pela violência", indicando ainda que os grupos agora desmantelados tinham ligações à Alemanha, Ucrânia, Estados Unidos, Polónia e Lituânia.

Alexander Lukashenko anunciou igualmente ter ordenado à guarda fronteiriça bielorrussa que "encerrasse definitivamente a fronteira com a Ucrânia", argumentando que "um grande número de armas" procedentes do território ucraniano estava a ser introduzido na Bielorrússia.

No poder há quase 27 anos, Alexander Lukashenko acusa regularmente o Ocidente de querer "desestabilizar" a Bielorrússia com o intuito de impor uma mudança de regime.

As declarações de hoje de Lukashenko surgem poucos dias depois de Minsk ter anunciado (na segunda-feira) a suspensão da sua participação na Parceria Oriental da União Europeia (UE), projeto que visa aproximar seis ex-repúblicas soviéticas do bloco comunitário, e da retirada do embaixador bielorrusso em Bruxelas, em retaliação às sanções europeias que foram decretadas na sequência da repressão política observada na Bielorrússia.

A Bielorrússia atravessa uma crise política desde as eleições de 09 de agosto de 2020, que segundo os resultados oficiais reconduziram o Presidente Alexander Lukashenko para um sexto mandato, com 80% dos votos.

A oposição considerou o escrutínio fraudulento, tal como vários países ocidentais, e foi desencadeada uma vaga de contestação sem precedentes naquela antiga república soviética.

Recusando qualquer concessão, o chefe de Estado bielorrusso prendeu ou forçou ao exílio a maioria dos seus opositores e denuncia manifestações conduzidas pelo Ocidente para o derrubar.

A repressão violenta do movimento de contestação causou vários mortos e várias centenas de pessoas foram detidas.

As tensões entre Minsk e os países europeus agravaram-se em maio passado quando o regime de Lukashenko desviou um avião civil (da companhia irlandesa Ryanair) para Minsk, situação que culminou na detenção do jornalista e opositor Roman Protasevich, que estava a bordo do aparelho, pelas autoridades bielorrussas.