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Protestos em Cuba. "Que ninguém espere uma intervenção norte-americana. Não vai acontecer"

Opinião

Germano Almeida analisa as manifestações em Cuba e a posição norte-americana.

As ruas de Cuba têm sido palco de protestos contra o regime de Miguel Díaz-Canel. A falta de alimentos e de cuidados de saúde são as principais queixas da população. A Administração Biden já se colocou do lado dos manifestantes, mas a situação para o Presidente norte-americano é mais complexa do que parece. Germano Almeida, comentador da SIC Notícias, explica que o Governo norte-americano está “num dilema”.

“A Administração Biden tem de mostrar apoio aos manifestantes, aos seus anseios e direito por se manifestar. Mas é difícil porque, por um lado, se vai tentar recuperar a política da Administração Obama, parece estar do lado do Governo cubano e não é o caso. Por outro lado, também fica difícil reverter as posições da Administração Trump que acabaram por dificultar e agravar o processo”, explica o comentador.

Sobre os protestos, Germano Almeida considera que são fruto da tempestade económica, que teve como desencadeador principal a pandemia de covid-19.

“A tempestade perfeita é de facto a tempestade económica. Cuba tinha muito o seu modelo assente no turismo, naturalmente o coronavírus veio complicar muito a questão. E a parte médica, que o embargo dificulta, não só no acesso a alguns bens essenciais de alimentos como também a medicamentos. Isso junto a um aumento do número de casos, há de facto um número de mortos aumentados, isso leva a esta reação um pouco desesperada da população”, afirma

Sobre as declarações do Presidente cubano sobre a interferência dos Estados Unidos nos protestos, Germano Almeida recorda que se trata de uma “retórica clássica” que remonta ao período da Guerra Fria. No entanto, afirma que não é espectável que os EUA intervenham na situação que se vive atualmente em Cuba.

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